terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A GUITARRA ROCKABILLY

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Um dos primeiros a se destacar foi Scotty Moore, presente na primeira gravação de Elvis Presley pela gravadora Sun, de Memphis. Por sua vivência no meio musical local, Moore empresariou-o durante seis meses, depois continuando na guitarra solo de sua banda durante os anos mais explosivos da carreira de Presley. Mais tarde, a posição de Moore seria assumida por James Burton, um guitarrista que havia se projetado na banda de apoio de Ricky Nelson - o primeiro ídolo juvenil fabricado pela TV americana - por seus arranjos rockabilly para as canções pop de Nelson. Também destacaram-se Cliff Gallup, o guitarrista solo dos Blue Caps de Gene "Be-Bop-A-Lula" Vincent e Roy Buchanan, cujo trabalho na Telecaster teve grande repercussão nos anos 70. Mas os mestres desta escola foram certamente Buddy Hollye Eddie Cochran. Charles Hardin Holly aprendeu a tocar violino, piano e violão ainda na infância, em Lubbock, Texas. Aos dezesseis anos já tinha fama local como cantor de country e, influenciado por Elvis, decide também aderir àquele novo movimento musical. Paralelamente a sua carreira solo, ele torna-se líder dos Crickets (que também contava com o guitarrista Niki Sullivan), onde empunhava a sua Fender Stratocaster (uma exceção entre a grande maioria dos guitarristas da época, com instrumentos semi-acústicos).

Sua técnica de mão direita - baseada em suas raízes country - constituía-se em tocar um nota grave com o polegar, enquanto se faz soar o acorde com os outros dedos, e teve enorme influência tanto nos EUA quanto na Inglaterra, por onde fez uma excursão consagradora em 1958. Sua brilhante carreira teve um fim precoce um ano depois, com sua morte trágica num desastre de avião em North Dakota, no qual também foram vítimas os astros Richie Valens e J.P. Richardson (Big Bopper). Eddie Cochran, que os acompanharia neste vôo, por sorte desistiu por mudanças de datas em sua agenda, mas, por um capricho do destino, também morreu tragicamente pouco mais de um ano depois, num acidente automobilístico a caminho do aeroporto de Londres, ao retornar de uma bem-sucedida excursão pela Europa que fez com Gene Vincent e o astro inglês Billy Fury. Cochran tinha então 21 anos e, com suas canções antológicas (em grande parte co-assinadas pelo compositor Jerry Capehart) e suas vibrantes performances, estava no auge de sua criatividade artística. Além de exímio guitarrista, ele foi um dos primeiros peritos na utilização de overdub no estúdio (em músicas como "C´mon Everyboby" e "Summertime Blues", ele fazia todos os vocais e partes de guitarra), e, como Holly, deixou com seu estilo uma herança preciosa.

No fim dos anos 50, mais dois outros guitarristas se destacariam: Link Wray e Duanne Eddy. Wray foi o pioneiro no uso do som distorcido de guitarra ao gravar uma música ("Rumble", co-composta com o disc-jóquei Milt Grant), com o instrumento plugado em um amplificador cujo alto-falante ele havia perfurado em vários pontos com um lápis. Wray também chegou a tocar com Ricky Nelson e o pianista Fats Domino e em 1959 lançou um rockabilly instrumental ("Rawhide") numa linha similiar à adotada pelo guitarrista nova-iorquino Duanne Eddy no ano anterior (com o hit instrumental "Rebel Rouser"). Mas Eddy ia mais além, apresentando com sua Gretsch riffs em staccato que produziam um som estridente e metálico característico em suas frases musicais. O estilo de Eddy teve influência marcante no rock instrumental que viriam a praticar grupos como The Ventures e o londrino The Shadows.

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