Arthur Rimbaud
Tradução de Ferreira Gullar.
Lá ia eu com as mãos em meus bolsos furados;
O paletó também se tornara irreal;
E sob aquele céu, Musa! eu era teu vassalo;
E imaginava amores nunca imaginados!
Nas calças um buraco e eu só tinha aquelas.
- Pequeno Polegar das rimas, sonhador,
Instalei meu albergue na Ursa Maior.
- Lá no céu o frufru de seda das estrelas...
Eu as ouvia, sentado à beira das estradas,
nas noites boas de setembro,
quando o orvalho revigorava-me a fronte como um vinho;
E em meio às sombras fantásticas, então,
dedilhava, como se fossem lira,
os elásticos de meus sapatos,
o pé junto do coração!
Me despeço com esse poema, vou seguir minha caminhada solitaria nessas pradarias virtuais...e tudo que voce precisapara ser feliz esta dentro da sua cabeça , meu irmão...faça o seu dia valer a pena ...escute rock....faça sexo...seja educado...faça o que voce gosta e ignore as merdas do dia-a dia....bom final de semana rapeize
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Do Fundo do Bau
OS CASCAVELLETES
O Rock hoje em dia salva vaquinhas , é politicamente correto , nada conforme a correnteza , mamães e papais escutam rock nos seus carros confortáveis...nas suas casas burguesas....ou seja o bom e velho rock and roll virou Pop Rock .Mas nem sempre foi assim.....
Nos anos 80 em Porto Alegre existiu um banda que era essência , a alma do “sexo ,drogas e Rock and Roll”...que cultivava os ensinamentos do mestre Chuck Berry....que dizia que o verdadeiro Rock and Roll é aquele tipo de musica que seus pais não vão gostar , eu completo é o tipo de musica que te faz sentir três sensações , em separado ou juntas.São elas: montar uma banda , sair e quebrar tudo ...e a principal trepar. Os Cascavelletes eram o sinônimo de tudo isso , fui a quatro shows deles , assisti três ( em um deles fiquei comendo uma garota no banheiro....uma das três sensações mencionadas acima ).
Os Cascavelletes eram energia pura , primal e instintiva. Flavio Basso ( vocal e guitarra ) parecia um Mick Jagger Punk , louco berrando uma deliciosa pornografia inconsequente sobre a platéia ( quase na maioria feminina ) ....me fazia lembrar daqueles filmes sobre a Beatlemania ,alias João Gordo ( Ratos de Porão ) os chamava de Beatles Punks. Mas tínhamos ainda Neia Wan Soria na guitarra e vocais com seus solos simples e precisos , oriundos do bom e velho rockabilly de sua banda anteriror ( TNT - outra lenda gaucha , da qual Nei e Flávio faziam parte )...no baixo o mestre Frank Jorge com seus Backing Vocals memoráveis e estilo Buddy Holly de ser na epóca , completando essa banda dos sonhos na batera , o monstro Alexandre Barea que socava como um animal seu kit.
Qual banda tirou uma radio do ar por causa de suas letras pornográficas ? Qual banda fez shows onde as garotas da platéia acabavam a maioria deles sem calcinhas ? Qual banda te faz comer uma garota linda em um banheiro sujo e imundo? Cascavelletes meus caros , como dizia Flavio Basso sem modéstia e com arrogância sulista...A Maior Banda De Rock And Roll Do Mundo , e vou ser sincero naqueles três shows que assisti eram mesmo.
Lembranças ( ou nada dura para sempre )
A alguns dias recebi um foto antiga , meio amarelada , a foto mostrava uma turma de garotos adolescentes com idades que variavam de 18 a 14 anos , todos rasgados ,sujos e cheios de cerveja barata e quente na cabeça .Mas isso não me chamou tanto a atenção , o que me chamou mais a atenção foi o olhar desafiador deles , o sorriso sarcástico de quem não se importava com o futuro , um sorriso para quem o passado era apenas passado nada mais , nada para se ter orgulho , um sorriso de quem vivia o presente no limite mesmo...as vezes ultrapassando ele .
Acho que o mais complicado na passagem da adolescência para a vida adulta , é saber conviver com as perdas , é aprender...parece simples mas não é , que nada vai ser para sempre , tudo tem prazo de validade. Um dia você se acorda no meio da noite para dar uma mijada e se olha no espelho e se enxerga com 39 anos....pai de dois filhos .....mas o mais engraçado que por dentro dessa carcaça de rugas , cicatrizes , quilos a mais e cabelos a menos....você sente-se ainda adolescente , você não consegue dormir então caminha até a loja de conveniência de um posto de gasolina próximo a sua casa e pede um cappuccino e tenta se consolar que nada mais pode te machucar...
Porque nada dura pra sempre , o fliperama na subida da Borges não existe mais , nem o boteco que ficava ao lado , onde tinha o garçom mais camarada da cidade , o Clark Kent - o maluco era a cara do Superman , a lanchonete que vendia doces baratos numa ruela suja próximo ao meu colégio também desapareceu , as lojas de vinis usados ainda resistem ,o cheiro de bolor que exala do seu interior parece perfume para mim , claro os cds usados hoje ocupam mais espaço que os vinis e tampouco eu vou encontrar um vinil do Sex Pistols no meio das velharias como aconteceu em 1983 , até mesmo a farmácia que ficava na esquina da Borges com Fernando Machado onde a gurizada comprava melhoral infantil para misturar com Coca-Cola também sucumbiu ....nada dura para sempre , assim como aquela turma na foto também por motivos diversos não existe mais , cada um seguiu seu caminho , no meu mundo de fantasia espero que todos ainda mantenham os ideais daquela época mágica onde existiam dias e noites que valiam por uma vida , mas um dia a festa acaba , a tarde termina....Como se digita Lágrimas?
quarta-feira, 25 de março de 2009
Ramones - Disco a Disco
Ramones - Disco a Disco
BY Oldpunk
Por mais que se
teorize , que se gaste linhas e mais linhas tentando descrever a importância
dos Ramones para a musica , nada consegue chegar perto da massa sonora
produzida pelos calça furadas em seus discos e shows ao redor do mundo . Eles
criaram o monstro chamado Punk Rock , misturando rockabilly , pop bubblegum
anos 60 e surf rock , adicionando encima disso ainda doses generosas de rock de
garagem primal ( Leia- se como primal , os Stooges , MC5 e New York Dolls ) , fizeram
um exército de moleques voltarem a usar calças surradas e jaquetas de couro ,
criaram as camisetas de bandas , um estilo de vestir que passado tantos anos ,
você ao dobrar uma esquina se depara com alguém usando, seja no Brasil ou no
Japão.
Mas como explicar
que quatro garotos sem habilidade musical , delinqüentes, desajustados , com
personalidade bem diferentes entre si , conseguiram ser tão importantes assim.
Como explicar que um adolescente que fazia michê numa esquina ( Dee Dee ) , um
maluco esquisito com passagens por clinicas psiquiátricas com uma personalidade
frágil ( Joey ) , um delinqüente que roubava residências e carros ( Johnny ) e
um baixinho boa praça ( Tommy ) chegaram tão longe.
Nesse pequeno
especial de disco a disco vou teorizar sobre o assunto , colocando fatos
concretos , lado a lado com lendas que rondam a história da banda , mas como
assim teorizar? .....simples ....porque por mais que se chegue perto da verdade
absoluta....somente eles os mestres dos três acordes poderiam contar o que
realmente acontecia por detrás dessa família bizarra.
Parte 1 – O Big Bang , a Criação do Universo Ramônico
Ramones ( 1976 )
01. Blitzkrieg Bop
02. Beat On The Brat
03. Judy Is A Punk
04. I Wanna Be Your Boyfriend
05. Chain Saw
06. Now I Wanna Sniff Some Glue
07. I Don't Wanna Go Down To The Basement
08. Loudmouth
09. Havana Affair
10. Listen To My Heart
11. 53rd & 3rd
12. Let's Dance
13. I Don't Wanna Walk Around With You
14. Today Your Love, Tomorrow The World
Os moleques do
Queens logo na primeira musica do primeiro disco definem um estilo , criam um
hino atemporal , que passados mais de 30 anos continua com seu frescor juvenil
, do Punk panfletário do Clash ao estilo bubblegum presente em milhares de
bandas ao redor do planeta , das camisetas de bandas que todo amante de rock
exibe no corpo , nada disso existiria sem os Ramones , o rock estava naquele
momento cada vez mais fechado , ao redor de uma casta pré estabelecida ,
rumando ao bundamolismo do virtuosismo musical , tinha deixado de ser selvagem
para ser previsível e enfadonho , os Ramones chutaram o formigueiro com uma
massa sonora jamais ouvida antes....a primeira impressão era de completo
espanto , e nada melhor do que começar com um grito incendiário....HEY HO LETS
GO ecoava logo de cara e depois nada seria como antes.....ninguém precisaria
ser um grande instrumentista para poder montar uma banda...nascia o conceito
que mudou , gostando ou não dos Ramones , a história da musica moderna .
De onde eles
tiraram esse grito ,de onde veio a inspiração?
Jhony era um fã
de Elvis Presley , Dee Dee escutava o rock incendiário dos anos 50 através do
rádio na Alemanha quando moleque.....bem mais o que isso tem a ver?
Nos anos 50 as
gravações eram feitas com todos os músicos tocando ao mesmo tempo e existiam
pequenos truques para que não ocorressem erros desnecessários. O rei do rock ,
Mr.Presley inventou um grito para que Scott Moore ( o guitarrista da sua banda
) soubesse o momento certo de solar....o grito era....Go Cat Go ( que depois
viraria o grito símbolo do rockabilly mundo afora ) ......lenda?
O que não é lenda
é que Beat On The Brat foi inspirada
num vizinho dos rapazes que era espancado pelo pai com um taco de beisebol ,
sempre acusados de alienados , eles tocam num assunto sério de forma irônica , os
Dead Kennedys abusaram dessa ironia em quase todas suas letras ao longo de sua
carreira fortemente inspiradas nessa musica feita sem muita pretensão por Dee
Dee com ajuda de Joey .Se a musica feita por eles até então não tinha como ser
classificada , eles ajudaram os pobres críticos com Judy Is A Punk , não que
eles se importassem com rótulos . Eles faziam rock and roll nada mais do que
isso , todo o resto que surgiu depois -
Os dogmas , movimento e o anarquismo proletário foi inventado pelos ingleses. Os
calça rasgadas queriam apenas deixar o rock mais divertido de novo.
Talvez a primeira
chance dos Ramones ganharem espaço na mídia e de quebra ganhar muita grana foi
desperdiçada por Tommy , ao não querer ceder sua I Wanna Be Your Boyfriend para uma boy band da época que tinha um
programa na televisão americana .Nessa musica duas coisas são deixadas bem
claro , o enorme talento do vocalista Joey RAmone e a grande capacidade da
banda em escrever baladas.
Indo em frente
surgia Chain Saw inspirada no filme
The Texas Chain Saw Massacre , um clássico do terror . Depois vinham duas
pedradas assinadas por Joey , Now I
Wanna Sniff Some Glue e I Don't
Wanna Go Down To The Basement , uma falando do seu vício preferido e outra
que a princípio parece ter uma letra boba , mas que olhada de outra forma , e
sabendo do seu passado de internações em hospitais psiquiátricos quando
adolescente revela um outro enfoque.
Você é um babaca
É melhor você calar a boca
Senão eu vou te dar porrada
Porque você é um babaca
Esses singelos
versos são a letra completa de Loudmoth
, nada de fadas , duendes , deuses, letras quilométricas que ninguém conseguia
entender seu significado. Também é um desabafo para quem a vida inteira escutou
dos amigos e familiares que não seria nada na vida. Dee Dee chegou a declarar
que se sentia um derrotado , isso com apenas 13 anos de idade. Loudmoth era um
“vão se foder ” para tudo isso.
Havana Affair é a musica que difere do restante por
ser a mais nonsense do álbum , típica letra escrita com o uso de substâncias
ilícitas , mas na parte musical é a mais dançante . Os garotos provando que
podiam ser rudes , mas ao mesmo tempo sabiam fazer os quadris se mexerem.
Listen To My Heart é uma típica balada ramonica , quantas musicas
você já não escutou na vida parecidas com ela? , pois bem a culpa é do mestre
Joey Ramone , um romântico incurável .Uma vez perguntado porque os Ramones não
tocavam suas baladas no show , ele respondeu dizendo que o local ideal para se
escuta-las era no quarto na companhia de uma garota e nada mais...precisa dizer
mais alguma coisa?
Em todos seus
discos clássicos , os calça rasgadas deixavam pistas das suas influências nas
versões das bandas que eles faziam a sua cabeça , na maioria bandas obscuras de
garagem dos anos 60 . Isso era obra de Joey , um verdadeiro conhecedor do
gênero .Lets Dance é uma obscura
canção cantada por um obscuro cantor ( Chris Montez ) e escrita por Jim Lee ,
um compositor de aluguel que prestava serviços para gravadoras pequenas
americanas na década de 60 .
Os Ramones não se
encaixavam nas versões originais que interpretavam , eles a reinterpretavam ,
dando uma identidade própria. As bandinhas covers deviam prestar atenção nisso.
Lets Dance também era uma ode a dança , na década de 70 os shows eram
assistidos por platéias catatônicas , ninguém mais dançava , ficavam
“assistiindo” , os Ramones mesmo ficando
estáticos no palco , pregavam o libertar da dança. e a crítica ainda os
qualificava como estúpidos...chega a ser hilário....quem vocês acham que eram
os estúpidos na história ?
Para fechar o
album de estréia , dois punk rocks curtos diretos e certeiros , “ I Don't Wanna Walk Around With You “ e “
Today Your Love, Tomorrow The World” ....essa última mais uma canção
romantica dos mestres do três acordes.
Parte 2 – O melhor ano na vida dos garotos do Queens
1977 foi o melhor
ano do Punk Rock , a semente plantada pelos Ramones espalhava-se pela
Inglaterra rápido como as suas musicas de dois minutos , em todos os cantos do
planeta iam pipocando bandas com o mesmo espirito anárquico juvenil que
retomava os três acordes iniciais do rock anos 50 em detrimento ao rock
progressivo vigente na época , os quatro garotos nova iorquinos não tinham a
menor percepção do que estava acontecendo , não tinham a noção exata do que
tinham feito nem da sua importância ....genialidade? loucura ?
Escute as
primeiras musicas do Clash e me diga se não é Ramones , talvez porque
estivessem mergulhados na gravação do segundo disco ( Leave Home ) , a famosa
crise do segundo disco passou batido por eles. Leave Home e Rocket To Russia
são uma continuação , quase como se fossem um álbum duplo , eles se mantiveram
apenas focados na musica , enquanto a imprensa e a mídia tratavam de domesticar
o furacão , transformar em um produto viável.Alguém em sã consciência
conseguiria vender os Ramones ? eles eram malucos , feios , loucos , marginais
e nem um pouco simpáticos com a platéia. Tudo era verdadeiro neles suas
qualidades e seus defeitos , nada era fake ou planejado ,talvez a última banda
autêntica da face da terra ?....mas vamos ao segundo disco .
1. "Glad to See You Go"
2. "Gimme Gimme Shock Treatment"
3. "I Remember You"
4. "Oh, Oh, I Love Her So"
5. "Carbona Not Glue"
6. "Suzy Is a Headbanger"
7. "Pinhead"
8. "Now I Wanna Be a Good Boy"
9. "Swallow My Pride"
10. "What's Your Game"
11. "California Sun"
12. "Commando"
13. "You're Gonna Kill That Girl"
14. "You Should Never Have Opened That
Door"
Assim como Lennon
& Mcartney nos Beatles , Jagger & Richards nos Stones , existia uma
dupla genial por trás daquela parede Sônica de três acordes , Dee Dee e Joey
não tinham o hábito de fazer musicas em parceria , cada um tinha o seu estilo
próprio , Dee Dee era a tosqueira em contraponto ao romantismo de Joey , e
muitas vezes um copiava o estilo do outro , nesse disco eles fazem apenas duas
musicas em parceria Glad To See You Go
e Suzy
Is A Hedbanger ...nessa última se percebe como os lados completamente opostos
de suas personalidades geram uma obra prima .
A aproximação com
a Surf Music começa a engatinhar com a regravação de California Sun dos Revieras , namoro que chegaria no seu auge no
disco seguinte. Todo o romantismo , a busca do amor eterno que é alma do rock
aparece mesmo que cinicamente das canções I
Remember You e Oh, Oh, I Love Her So
,as duas de JOEY...mas em termos de letra nada superaria You”Re Gonna Kill That Girl
Eu a vi caminhando pelas ruas
Ele pulou pra cima dela e a derrubou no chão
E então eu percebi que era o fim dela
Ele vai matar aquela garota
Ele vai matar aquela garota hoje à noite
Com uma melodia
bubblegum , ele fala de uma cara que mata uma garota....sem tomar partido ele
apenas despeja sobre o ouvinte essa historia triste , os pés marcam o ritmo e
você nem percebe a crueldade da letra .
O cinismo , sempre
presente na obra dos RAMONES escorre pelos cantos da boca , em Now I Wanna Be A Good Boy , obra do
figuraça Dee Dee
Agora eu quero ser um bom menino
Eu não quero ser mau
Agora eu quero fugir de casa
Agora eu quero ficar na minha
Eu só quero ser um bom menino
Eu não quero ser mau
Agora eu quero ficar triste e sozinho
Agora eu quero ficar totalmente sozinho
Agora eu quero ficar na minha
Os dois
principais compositores da banda escancaravam suas vidas nas letras que
compunham , toda sua loucura , medos , remorsos , tudo sem o menor
pudor....porque sabiam que sozinhos eram um bando de perdedores ,mas juntos
eles conseguiriam sobreviver .
You Should Have Never Opened That Door
Mamãe, onde está a sua filhinha?
Ela está aqui, aqui mesmo no altar
Você jamais deveria ter aberto aquela porta
Agora você nunca mais vai vê-la
Você não sabe o que eu posso fazer
Com este machado
Cortar sua cabeça
Então é melhor relaxar
Me Dê, Me Dê Tratamento De Choque
Eu estava me sentindo doente
Eu estava perdendo a cabeça
Eu ouvi falar desses tratamentos
De um bom amigo meu
Ele estava sempre contente
O sorriso na cara dele
Ele disse que se divertiu pra valer neste lugar
Paz e amor vieram para ficar
E agora eu posso acordar e encarar o dia
Feliz, feliz, feliz o tempo todo
Tratamento de choque, estou me saindo bem
Me dê, me dê tratamento de choque
Me dê, me dê tratamento de choque
Me dê, me dê tratamento de choque
Me dê, me dê tratamento de choque
Eu quero, quero tratamento de choque
Nessa duas o
baixista mostra todo o seu lado sombrio de uma personalidade quase que doentia
, mas em contrapartida num acesso de bondade da créditos a Johnny , mesmo o
guitarrista tendo o apenas ajudado em pequenos trechos das duas musicas. Ele
compareceria com mais duas musicas no disco , a militar Comando ( Eles estão preparados para o Vietnã / Da velha Hanói para
a Berlim Oriental ) inspirada na sua infância na Alemanha e com Pinhead , a letra da música foi
inspirada no filme cult "Freaks" (1932), de Tod Browning. Os pinheads
eram personagens que tinham cabeças pequenas. "Gabba Gabba" é uma
fala do filme. A musica acabou se tornando um dos grandes hinos dos Ramones (
apesar do seu autor odia-la tocar ) , e bem antes do Iron Maiden ter um Boneco
como símbolo ( Eddie ) ...os Ramones inventaram “ O Pinhead ” e Gabba Gabba Hey
virou o segundo grito da banda...quantas bandas tem dois gritos ?
A Fragilidade
emocional de Joey aparece de forma bem clara nas letras de Swallow My Pride e What's
Your Game. A primeira falando de sua vida antes da banda , repleta de
humilhações na escola ,por parte de colegas e professores , a segunda fala de
uma garota que ser como as outras , parece uma letra boba...mas olhando de uma
outro ponto de vista , tudo o que o garoto Joey queria era ser um cara normal
não um “ estranho “. Olhado com desprezo pelas garotas...talvez por isso reza a
lenda que ele se tornou depois no decorrer da historia da banda , o mais
galinha de todos, comendo todas as garotas que viessem pela frente , nessa
lista incluídas Debby Harry , Joan Jett , Linda Stein e Linda Ramone ( que
depois se tornaria senhora Johnny Ramone )...todas por sinal muito gostosas.
SWALLOW MY PRIDE
O inverno chegou
E já se vão dois anos
Engulo meu orgulho
E as coisas pareciam horrendas
Mas elas estão parecendo boas novamente
Engulo meu orgulho
WHAT'S YOUR GAME
Eu sei seu nome
Eu conheço seu jogo
Doce Mary Jane
Você está pirada.
E tudo que você sempre quis
Ser como as outras garotas que você vê
Oh yeah
Finalizando temos
Carbona Not Glue , composta por
todos numa roda de cheirar cola nos telhados de algum edifício em forrest hills
, ela foi censurada e não saiu na segunda prensagem do disco , o vinil contendo
ela é um item valioso para colecionadores.
P.S - Leia escutando os discos em questão
Retornando a Ativa
Bah gurizada , não sei se alguém lê o que escrevo , mas se por acaso existir algum leitor ...peço-lhe desculpas pelo abandono do blog...para retomar os trabalhos coloco a historia dos Ramones disco a disco , outra coisa ( bem evidente...rsrsr ) não costumo colocar fotos...é somente texto mesmo...prometo tentar mudar.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
A Historia do Skate parte 2
Skatemaster Tate
and The Concrete Crew - Do The Skate
Em 1991 o grupo
skatemaster tate and the concrete crew (um dj, dois rappers e um guitarrista)
criou um clássico: "do the skate", nome da primeira faixa do lp de
mesmo nome. O álbum contava com algumas guitarras de tim kerr e backing vocals
do grande natas kaupas. Antes disso skatemaster tate apareceu em duas
compilações em fitas cassete da revista thrasher. No volume 6 com a música jolt
skate mix e no ano de 1986 abrindo o volume 4 com skaterock rap. Estes
angelenos estavam a frente do seu tempo quando resolveram fundir rap e skate.
O quarto volume
das coletâneas da thrasher trazia uma seleção musical eclética, retratando o
caminho que o skate estava seguindo. Com a incorporação de manobras do
freestyle, o street style cresceu, as ruas foram tomadas por streeteiros, e nas
ruas começava a se popularizar o hip hop, o funk e outros estilos musicais.
Skatemaster tate foi o melhor retrato desta fase, que atingiu seu ápice no
começo dos anos 90 quando os skatistas ouviam punk rock num lado de uma fita
cassete e rap no outro.
M.i.a. - Tell Me Why
Eram poucas as
informações sobre skate rock que chegavam aos ouvidos da molecada brasileira
que andava de skate no final dos anos 80. Pode-se dizer que as informações eram
"bimestrais" ou na melhor das hipóteses "mensais". Digo
isso pois nossa única fonte eram as revistas especializadas da época. No brasil
tinha a overall, a yeah! E a skatin'. Entre as gringas destaque total para a
thrasher, é claro! Nas últimas páginas da revista sempre tinham resenhas e
entrevistas com bandas interessantes ou publicidade de gravadora independente,
além de colocar a venda lp's do j.f.a ou as super desejadas coletâneas da série
skate rock que na época já estavam nos útimos volumes. Foi na thrasher que a
gente soube que o dee dee tinha deixado os ramones ou que bad brains e suicidal
tendencies estavam em grandes gravadoras. A sessão musical da thrasher era
obrigatória, você não precisava comprar a revista mas sempre conferia nas
bancas o que tinha naquelas páginas fabulosas.
Assim sendo
classificávamos de modo grosseiro qualquer banda entrevistada na thrasher como
"banda skate rock". Algumas bandas nem eram skate rock mas como
tinham sido matéria da thrasher a gente classificava "sem medo" como
tal.
Uma dessas
bandas que não tinham muito a ver com o skate mas, por aparecer na thrasher
acabou sendo colocada na mesma turminha foi uma obscura banda de las vegas
chamada m.i.a.
Duraram de 1981
à 87. Integrante principal: mike conley. Registro fundamental: lost boys (2
lp's em 1 cd... Lançado em 2001 pela alternative tentacles). Os 2 lp's em
questão são: "murder in a foreign place" de 1984 e "lost
rites" de 1982. O último álbum: "after the fact" de 87, trazia
frank daly e mark arnold que após o fim da banda formaram o big drill car.
Naquela fase da
globalização do skate no começo dos anos 90 surgiu uma banda na suécia chamada
millencolin. O nome da banda foi uma adaptação do nome da manobra melancholy,
também conhecida por sad air. O quarteto tem model de tênis pela vans e
construiu uma skate park em sua cidade natal orebro. Começaram a tocar ouvindo
operation ivy, nofx e as bandas que enriqueciam a trilha sonora dos vídeos da
marca h-street.
Sub Society
Uma pequena e
obscura banda de san diego chamada sub society ficou um pouco conhecida por
estar presente nas trilhas destes vídeos da h-street. Os registros fonográficos
do grupo se resumem a uma demo tape e dois compactos 7 polegadas . Também
pode se ouvir sub society no volume 10 da coleção de fitas cassete da revista
thrasher e nos vídeos 'hokus pokus' e 'next generation' da h-street.uma sessão
clássica do hokus pokus é de matt hensley apavorando com seu belo estilo e ao
fundo a música "a whole lot less" do sub society. Inspirados nas
imagens e na música o millencolin regravou "a whole lot less" .
O skate
brasileiro entrou na década de 90 quase morto. Um dos culpados foi o bloqueio
das contas bancárias do plano collor. Quem continuou intenso no skate é porque
tinha o skate na veia. Nesta época o freestyle foi incorporado ao streetskate,
novas manobras íam surgindo. Heels e flips eram manobras básicas. Uma evolução
gigantesca. Um novo skate, rodas torneadas, shapes finos e bastante côncavos.
Velocidade não importava tanto, tudo estava sendo reinventado, não havia
espaços para veteranos ou old schools. Tarobinha um dos poucos
"velocistas" da nova geração foi o campeão de streetskate de 1992.
Tarobinha era o supra sumo de uma geração de streeteiros que raspavam a cabeça,
usavam roupas extra large e adotavam uma postura quase anti-profissional, eram
avessos à fotografias e tentavam ser undergrounds.nos anos posteriores o skate
brasileiro se auto conheceu, se profissionalizou, valorizou-se. Época de
excelentes nomes como digo, carlos de andrade piolho, rodil ferrugem e lincoln
ueda. Bob foi capa da thrasher, o switchstance se popularizou.
Mas aquele
difícil início de década ninguém esquece, assim como não esquecemos as músicas
mais tocadas nos campeonatos da época. Uma banda que sempre embalava os
streeteiros se chamava operation ivy. Quarteto de berkeley, safra gilman street
87/89. Elaboraram uma inovadora mistura de punk com ska, catalizaram o
surgimento de um novo gênero musical.anos após o fim da banda o baixista matt e
o guitarrista tim (lint) formaram o rancid. O baterista brett reed nas horas
vagas anda de skate... É ele quem aparece andando no video da música hyena.
Gang green - Skate To Hell
A primeira
aparição do gang green foi na clássica coletânea "this is boston not
l.a." de 1982 ao lado de bandas como jerry's kids, f.u.'s, the freeze
entre outras. Com apenas 15 anos de idade os moleques do gang green se
destacaram entre a boston crew por fazerem um hardcore rápido e intenso. Boston
era uma das mecas do hardcore americano no início dos 80 representada por grupos
como mission of burma, ssd e dys.
A partir do meio
daquela década (com lançamentos pelas gravadoras taang! E roadrunner) o gang
green fez um hard rock rápido com letras sobre festas, garotas, cerveja e
skate. Lançaram um álbum (inclusive no brasil) cujo título "older...
(budweiser)" já dava o tom da conversa. Em outros registros várias músicas
tendo o skate como tema (skate hate, skate all day, etc) os faziam ser os
representantes bostonianos do skate rock. Ficaram imortalizados no gênero
quando fecharam o volume 5 (wild riders of boards) das coletâneas da thrasher
com a música skate to hell .
Steve alba
começou sua história como skatista em 1974 aos 11 anos de idade e desde então
nunca mais parou de andar. Em 78 entrou para a história ao vencer o primeiro
campeonato realizado em uma piscina, terreno no qual é mestre. Mas o espírito
aventureiro de salba (como é mais conhecido) sempre fala mais alto procurando
terrenos inexplorados e pouco óbvios como fullpipes e piscinas remotas. Não
foram poucos locais por ele descobertos. Também não foram poucos os secrets
spots que só foram skateados pelo irmão mais velho da família alba.
No final dos
anos 70 ao lado de outros skatistas da santa cruz como duane peters e steve
olson ajudou a sedimentar a postura rebelde do skate. Sim! Salba também faz
música, mas apenas como passatempo!!! A guitarra é uma de suas paixões. Seus
outros hobbies são colecionar discos de 45 rpm e descobrir novas piscinas e
pipes.Atualmente faz
parte da banda powerflex 5 tocando um rockabilly competente.
No meio dos anos
80 formou o hard punk rock screaming lord salba and his heavy friends.
Apareceram em dois vídeos da santa cruz, em algumas coletâneas e fecharam um
dos melhores volumes das compilações da thrasher.
Sidewalk Surfin'
Jan and Dean foi uma dupla vocal estado-unidense dos anos 60. Foram os primeiros
grandes populizadores da surf music. Emplacaram hits como deadman's curve, i
found a girl e surf city, esta última co-escrita com brian wilson dos beach
boys. Outra parceria de brian com jan deu origem a primeira música sobre skate
que se tem notícia: sidewalk surfin'.
Quando surgiu, o
skate era chamado de sidewalk surfin' e era encarado apenas como mais uma moda
passageira infanto-juvenil. A ingenuidade desta época seminal do skate pode ser
conferida em um dos trechos da letra da música:
"grab your
board and go sidewalk surfin' with me...
Don't be afraid
to try the newest sport around
(bust your buns,
bust your buns now)
It's catchin' on
in every city and town
You can do the
tricks the surfers do, just try a
"quasimodo"
or "the coffin" too (why don't you)
Grab your board
and go sidewalk surfin' with me.
(skateboard with
me, why don't you skateboard me?)".
Regravada até
mesmo por Dee Dee Ramone .
Mike Vallely
Mike Vallely é
um brutamontes, esquisitão, é um cara que "dá medo" só de olhar. Mike Vallely é jogador de hockey, um esporte violento, além disso é lutador
profissional de vale tudo. Mas é com o skate, a poesia e com o punk rock que ele consegue canalizar sua agressividade de forma mais saudável.
Já lançou dois
livros de poemas. Produz seu próprio programa de televisão chamado drive tv.
Mike Vallely é um dos skatistas mais importantes de sua geração. Nas ruas se
consagrou como um dos streeteiros mais radicais de todos os tempos. É uma
lenda.
Mike teve a
sorte de presenciar um show do black flag em new jersey quando era adolescente
em 1984. Desde então começou a se interessar por música e na sequência, o mundo
do skate veio naturalmente. Desde 2002 integra a banda mike v. And the rats na
qual é vocalista e letrista.
"we hit the
streets born to run
Not looking for
trouble just having fun
But around here
its against the law to be young
Around here
youre guilty by suspicion
We meet out in
abandoned parking lots
Under the street
lights just after dark
Armed with
skateboards and guitars
Against gang
fights, police states and holy wars
These are the
days
We hang out in
the garage and plug into amps
We skate our
ramps and listen to the clash
We hold onto the
night and try to make it last
The cars rush by
going nowhere fast
Everyones down
on main street
Got our
skateboards under our feet
Were just
talking trash in the heat
These are the
days youd better breathe deep
These are the
days"
Flogging Molly
No ano de 1970
na cidade de san diego nasceu matt hensley. Executanto manobras com grau de
técnica e inovação cabulosas hensley entrou na história do street skate na
virada dos anos oitenta para os noventa. Segundo nosso amigo marcelo viegas:
"hensley foi além da influência direta no skate, ele mudou a moda também.
Ele criou um estilo que virou padrão. Todo skatista no começo dos noventa
passava máquina 2 na cabeça, cortava o cano do tênis, usava salva-carteira e
bermuda com bolsos laterais... E era exatamente assim que o hensley se vestia.
Ele criou isso, e nós simplesmente copiamos... Não só nós reles mortais, como
as marcas de skate que transformaram o "padrão hensley" em tendência
da moda jovem mundial, a chamada street wear".
No pub molly
malone's da cidade de los angeles surgiu a banda flogging molly em 1997. Fazem
um folk irlandês misturado com punk rock. Uma espécie de the pogues estado
unidense. Já possuem 3 álbuns bem interessantes mas o ponto forte são as
apresentações ao vivo. Entre seus integrantes o septeto conta com uma garota
tocando violino, com o irlandês dave king (o vocalista e guitarrista que nasceu
em dublin) e tocando acordeon... Ele mesmo, matt hensley!!!!!!!
Mcrad - Iflation Dub
Chuck treece foi
skatista profissional nos anos 80, marcou pontos no skate rock produzindo
trilha sonora de videos como ban this ou public domain e como líder do grupo
mcrad. Mcrad surgiu em 1982 na filadélfia. Neste mesmo ano participaram de uma
coletêna obscura chamada "get off my back". Em 83 lançaram um 12 polegadas
("dominant force") com 8 faixas, e em 84 tiveram a honra de abrir o
volume 2 das coletâneas da revista thrasher.
O único álbum do
mcrad "absence of sanity" saiu em 1987. Mcshred e weekness (duas
faixas deste álbum) ficaram imortalizadas pois serviram de trilha sonora em uma
sequência matadora do vídeo public domain com os skatistas ray barbee, eric
sanderson e steve saiz. Outra música deste disco também tem ligação com skate:
a faixa 10 intitulada tg nada mais é do que uma homenagem ao melhor amigo de
chuck treece nos seus tempos de skate. Tg são as iniciais de tom groholski, pró
skater da vision também nos anos 80.
No começo dos 90
chuck treece resolveu encarar o skate apenas como diversão e se dedicou ao seu
talento maior, a música. Além do mcrad o multi instrumentista treece tocou com
urge overkill, underdog, the roots, billy joel, g. Love and the goats,
disposable heroes of hiphopracy, black beans e supergrub. Mas seu maior orgulho
(fora o mcrad e seu disco solo "dreamin'" de 1990) foi ter feito backing
vocals no álbum quickness do bad brains além de se aventurar como vocalista e
baixista em alguns shows do mesmo bad brains no ano de 1989.
Bones Brigade - Skate Or Die
Existiu uma
equipe da marca powell peralta chamada bones brigade. Composta por skatistas do
quilate de steve caballero, lance mountain, mike mcgill, tommy guerrero e tony
hawk a facção marcou época no começo dos anos 80. Essa mesma turminha
juntamente com outros profissionais estrelaram sob a direção do grande stacy
peralta o primeiro video de skate da história! A pérola vhs de 35 minutos
"the bones brigade video show" mostrava em video o que antes só se
via nas revistas: caballero e mcgill no bowl de lakewood, tony hawk em del mar,
rodney mullen certeiro no apaixonante freestyle, ruas, ladeiras, piscinas,
rampas de fundo de quintal, skate parks, adrian demain, per welinder, kevin
staab, todd hastings... Para 1984, uma loucura!!!!!!!
Anos atrás
quando o revival dos anos 80 veio com tudo, alguns moleques resolveram
reaquecer um estilo musical que marcou o final daquela década: o crossover
(mistura caprichada de punk, hardcore e metal). Se auto intitulam "bandana
trash" e adotam o visual calça ou bermuda jeans, tênis de skate, camisa
xadrez, boné e bandana!!!!
Pelo lado skate
rock da costa oeste estado unidense podemos citar como exemplo bandana trash o
grupo what happens next? Com membros do all you can eat. Já no lado leste o
melhor representante vem de boston e se chama bones brigade. Meio minor threat
meio suicidal tendencies este quarteto ultra
veloz possue entre seus lançamentos um álbum obrigatório intitulado
"i hate myself when i'm not skateboarding".
Riot 303 + Beyond possession
Quando se fala
em skate rock canadense logo se pensa em snfu, mas duas bandas da cidade de
calgary, ambas do vocalista ron hadley também merecem destaque: riot 303 e
beyond possession.o riot 303 surgiu em 1981. No primeiro volume das compilações
da thrasher apareceu com 4 (!!!!) Faixas: skate punx, murder the prime
minister, depression session e nightmares of another kind. Faziam o skate rock
clássico de 81/83 ala the faction/adolescents e possuem um 7 polegadas
disputadíssimo chamado "crowd control".
Já o beyond
possession é de 1984. No ano seguinte lançaram o compacto "tell tale
heart" (título inspirado em uma obra de edgar allan paul) com 6 crossovers
numa temática mórbida sobre vingança e morte. Uma das músicas (skater's life)
se diferenciava das outras e foi escolhida para integrar o volume 3 das
coletâneas da thrasher. Em 1986 gravaram seu único álbum "is this beyond
possession lp" pela metal blade (gravadora clássica das bandas de
crossover do meio dos anos 80).Anos atrás foi
lançado pela melodiya records "repossessed", cd que engloba toda
discografia do beyond possession.
Stalag 13 + ill
repute ( nardcore )
Oxnard (cidade
californiana próxima à santa bárbara) localizada à 100 quilômetros ao norte de
los angeles era ponto de parada das bandas de hardcore que faziam turnês pela
costa oeste. Bons fanzines ("60 miles north", "it's
alive"), a gravadora mystic e boas bandas sedimentaram a cena local do
meio dos anos 80, logo batizada de nardcore. Agression, ill repute, rkl, stalag
13 e dr. Know foram as bandas mais atuantes nos grandes anos do nardcore.
Além dessas
podemos citar os obscuros conjuntos false confession, habeas corpus, rat pack e
scared straight. Este último, embrião do ten foot pole/pulley gravou uma música
chamada skate to live na coletânea nardcore lançada pela mystic em 1984. Outras
bandas como nofx, lag wagon e strife também possuem raízes fincadas na cena de
oxnard e santa bárbara.todas as bandas do nardcore tinham estreita relação com
o skate rock. Dois registros clássicos desta cena são os discos "in
control" do stalag 13 e "what happens next" do ill repute.
Minus One + Black Athletes
Com trilha
sonora das bandas black athletes e minus one a sessão skate rock chega ao fim
na sua parte de número 40. Procurando entender a relação dos skatistas com a
música e vice-versa, foram executadas 49 canções de bandas canadenses,
brasileiras, estado-unidenses, argentinas, australianas e alemãs.
Dissecamos o
perfil de personagens importantes como steve caballero, steve alba, steve
olson, duane peters, claus grabke, tony alva, chuck treece, ron emory, natas
kaupas, mike vallely, césar lost, tommy guerrero, morizen foche. Você ouviu
bandas clássicas como big boys, suicidal tendencies e agression. Assim como
algumas desconhecidas porém muito boas como beyond possession, odd numbers e
eight dayz.
A maioria das
bandas resenhadas tiveram seu ápice quando o skate rock surgiu no início dos
anos 80: t.s.o.l., j.f.a., d.i., joneses, gang green. Mas trouxemos também a
nova geração como mike v. And the rats, monkeywrench ou bones brigade. Muita
coisa ficou de fora. Normal.para encerrar a sessão skate rock duas bandas
raras: minus one e black athletes.
Ambas
participaram do primeiro volume das coletâneas skate rock da thrasher magazine.
E pelo que se tem notícia nunca mais apareceram. Estão aqui hoje não por serem
"super-ultra-mega raras" ou por serem as únicas bandas do primeiro
volume que não tinham sido tocadas, mas sim por fazerem com qualidade o
delicioso skate rock da primeira geração.
A Historia do Skate Rock
Aquela velha história, que o skate surgiu na California nos anos 60 quando surfistas em um dia de mar "flat" pregaram seus patins sobre tábuas, é verdadeira. Sendo mais preciso, isso tudo aconteceu em Santa Cruz, no ano de 1962, em frente à Surf Shop, loja de Jack O'Neill, criador das roupas de borracha.
Devagarinho, o sidewalk surfin', como era chamado na época, foi se alastrando por toda a California. Em 65 foram comercializados os primeiros "carrinhos" fabricados industrialmente, e assim ganhou seu nome definitivo: Skateboard. Virou febre local, ganhou revista especializada (a lendária: Skateboarder). Foram realizados os primeiros campeonatos, onde as modalidades mais interessantes eram o freestyle (moleques realizando acrobacias circenses sem estilo ou propósito), o slalom (cruzamento de cones), salto em altura e alguma velocidade em suaves declives. Até a Europa viu garotos "surfarem nas calçadas" da Torre Eiffel ou do Arco do Triunfo.
A trilha sonora que embalava estes jovens pioneiros, era o mesmo tipo de música que os surfistas gostavam, o rock'n'roll dos anos 60 e os Beach Boys. Até que no final dos anos 60, o skate desapareceu completamente. Nesta primeira onda do esporte, o skate foi encarado apenas como mais um gadget, ou seja, mais uma ferramenta de moda passageira infanto-juvenil, tipo bambolê ou iô-iô. Por isso foi uma febre e depois sumiu do mapa.
Dogtown and Z-Boyz
No começo dos anos 70, o skate estava em baixa no mundo todo, a febre já tinha passado e ninguém mais se interessava naquele limitado brinquedo com rodas de plástico. Até que em 1972, um surfista e engenheiro químico estado-unidense chamado Frank Gainsworthy inventou um novo material, as rodinhas de uretano. Em poucos meses, o uretano embalava skates e aí começava a primeira revolução do esporte. Além de silenciosas, eram realmente mágicos os benefícios que as Cadillac Wheels proporcionavam: velocidade, controle, estabilidade, durabilidade e aderência.
A partir daí, o que se viu foi uma sequência de acontecimentos que fez o skate evoluir sem parar. No quesito equipamento, vieram eixos especialmente projetados (Tracker Trucks), shapes laminados com lixas e rolamentos de precisão. As manobras íam surgindo a cada dia e naturalmente, e, sem nenhuma alavanca midiática ou publicitária, o skate ganhava uma popularidade impressionante. Skate parks pipocavam em todo mundo. A primeira surgiu em San Diego, CA. As mais extravagantes e perfeitas eram as americanas e européias.
A primeira pista de skate do Brasil surgia em 74, na cidade carioca de Nova Iguaçu. Em Curitiba, a primeira pista apareceu em 1976, na Praça do Redentor em frente à Sorveteria do Gaúcho. Mas o brasileiro que quisesse ter um bom skate nesta época, só um importado, pois o único fabricado por aqui era o Torlay, da Bandeirantes, um skate com rodinhas de plástico e eixos de patins, cópia fiel daqueles rústicos carrinhos de 1965.
Em 1976, uma forte estiagem assolou Los Angeles, e um racionamento de água obrigava o esvaziamento das piscinas por toda a cidade. Os skatistas encontraram nestas piscinas mais um ótimo lugar para andar e mais uma modalidade surgia: o Skate Vertical. Um pequeno garoto inventa "quase sem querer" uma manobra que tornaria quase tudo possível no mundo do skate: levitando seu carrinho nas piscinas (batendo com o pé de trás e guiando com o pé da frente), Allan Gelfand nem sonhava que seu pequeno ollie pop em transições verticais, revolucionaria as manobras e a forma de andar de skate. Alguns anos mais tarde o também pequeno Rodney Mullen, levitava seu skate em superfícies planas, ampliando ainda mais o leque de possibilidades.
Protagonistas e responsáveis por toda evolução e rápida transformação do skate, os Z-Boys marcaram época entre 75 e 79. Lendária turma de skatistas que surgiu em Dogtown, nome de uma região de poucas quadras situada entre Venice e Santa Monica. Venice, tinha sido idealizada como uma espécie de Coney Island do Oeste americano; um bairro temático (imitava Veneza) com um enorme parque de diversões (Pacific Ocean Park- P.O.P.). Abandonada e desvalorizada no final dos anos 60, a região agora chamada de Dogtown, foi adotada por hippies, surfistas rebeldes e músicos como Jim Morrison, transformando a região num mosaico de etnias, idéias e atitudes. Uma terra de ninguém, onde hippies, surfistas, piromaníacos e junkies poderiam se exceder em simbiótica desarmonia, entre os escombros do P.O.P Pier, sanatórios, liquor stores e centros de reabilitação.
Neste cenário, uma garotada working class, filhos de pais separados, surfava de manhã na praia de Venice. À tarde, se encontravam para andar de skate em frente a surf shop Zephir em Dogtown. Encantados com a evolução da garotada, os donos da Zephir (Jeff Ho, Skip Engblom e Craig Stecyk) resolveram patrocinar e formar uma equipe de skate para competir no primeiro grande campeonato americano, o Del Mar Nationals. Assim nasceu a equipe Z-Boys Skate Team. Até então, excetuando aquela turminha de Dogtown, a maioria dos skatistas andavam como nos anos 60.Neste campeonato de Del Mar, o Z-Boy Jay Adams mostrou um novo estilo e manobras inéditas. Os juízes espantados, não sabiam como julgar, os outros competidores ficaram putos e a platéia extasiada. Um artigo e um ensaio fotográfico feito por Stecyk para a revista Skateboarder, transformou os Z-Boys em heróis do dia para a noite.
"Aquelas fotos mostravam muito mais do que um cara andando de skate. Elas mostravam um estilo de vida, uma atitude, um código." (Henry Rollins)
Os Z-Boys (onze homens e uma garota, Peggy Oki) eram uma banda de punk rock sem guitarras. E antes do punk. Como bons rebeldes, não estavam em busca de fama ou fortuna. Isso veio naturalmente. O que eles queriam mesmo era andar de skate, e se fosse necessário invadiriam casas de forma ilícita, para usufruirem de suas piscinas vazias. Hoje em dia, com a explosão da mídia, seria impossível que eles durassem como uma força underground íntegra por tanto tempo.
Os Z-Boys e todos os outros skatistas daquela área quebraram barreiras no esporte e na sociedade. Em apresentações por todo o país, levaram o estilo de vida e a essência do skate ao limite máximo. Tornaram-se famosos e afortunados com 20 anos de idade. Ao mesmo tempo, invadiam a sua casa, andavam de skate na sua piscina, realizando manobras cada vez mais radicais, colocavam uma fita do Ted Nugent, Hendrix ou Led Zeppelin no seu stereo, fumavam um baseado e caíam fora. Trouxeram ao skate uma imagem de "fora-da-lei", rebelde e outsider. Mexicanos, franceses, asiáticos, negros, brancos e judeus inventando "coisas" como frontside airs e handplants. Dalí sairam nomes como Jay Adams, Stacy Peralta, Jim Muir, Tony Alva, Allen Sarlo, Bob Biniak, Wentzle Ruml, Shogo Kubo, Peggy Oki, Nathan Pratt, Chris Cahill e Paul Constantineau.
Gino, amigo desses caras, era um menino rico que estava morrendo por causa de um câncer. O pai de Gino, resolveu esvaziar a sua piscina, e convocou todos os Z-Boys para lá andarem de skate sem a preocupação de serem presos pela polícia. Chamaram a pista de Dogbowl, pois vários cachorros vagavam em volta da piscina.
"As sessions no Dogbowl entre 77 e 80 foram o auge para todos nós. Foram os anos de ouro" (Tony Alva).
Foi no Dogbowl que Alva realizou o primeiro frontside air da história. Os aéreos de Tony Alva foram o ponto de partida para uma nova era no skate. Para se ter uma idéia da importância desses caras no skate, vamos falar um pouquinho mais sobre os mais notáveis.
Tony Alva: o original, o Chuck Berry do skate. O inventor do skate vertical, o primeiro cara a realizar um aéreo, o primeiro a estruturar uma vida estritamente no skate. Hardcore, radical e estiloso. Sinônimo de invasão domiciliar para deslizar em piscinas. Proprietário de sua própria e bem sucedida marca, Alva Skateboard Company. Começou no meio dos anos 60 e continua viajando pelo mundo em demostrações e eventos.
Jay Adams: a alma, o espírito, o Little Richard do skate. Visceral e criativo, criava manobras a cada dia. Sua contribuição ao skate não tem paralelos. Começou com 6 anos de idade, junto com o surf. Seu pai, Kent Sherwood, surfista de longa data, alugava pranchas em Venice. Reconhecido como o mais talentoso Z-Boy, freqüentemente premiado e dono de uma grande legião de fãs em todo mundo. Sucumbiu às tentações de um jovem de sucesso e atualmente está preso no Hawaii, atrás das grades por uma séries de episódios com drogas.
Stacy Peralta: um dos pais do skate moderno. Foi o primeiro Z-Boy que trabalhou a sua imagem e seus lucros. Anos depois fundava junto com George Powell sua própria marca, a legendária Powell Peralta. A marca mais influente da história do skate, a marca que descobriu Tony Hawk e o patrocinou quando este tinha apenas 11 anos. Chefe e fundador da equipe Bones Brigade. Sempre ligado ao cinema, trabalhou com Steven Spielberg e revolucionou os filmes de skate com o marcante, The Bones Brigade Video Show, em 1984. Em 91 abandonou a Powell Peralta para trabalhar apenas com produção e cinema.
Jim Muir: o coração e a raiz do skate em Dogtown. Enquanto os Z-Boys competiam, Muir ficava atrás da cena, confeccionando shapes para os seus colegas. Feitos a mão, as tábuas de Muir eram as melhores, mais leves e resistentes. Em 76, começou a vender suas tábuas sob o nome de Dogtown Skateboarding, colocando a logomarca Dogtown no mercado. Desde então, dirige a empresa e pratica surf e snowboard freqüentemente. Ainda mora em Venice com seu filho de 10 anos. Seu irmão mais novo, Mike Muir, levou o nome Dogtown para o mundo da música, com a famosa banda Suicidal Tendencies.
Shogo Kubo: imigrante japonês, chegou em Venice aos 12 anos. Começou motivado por Jay Adams, que andava de skate no estacionamento da escola de judô que ambos freqüentavam. Atualmente mora no Havaii, onde pratica surf longboard. Voltou ao skate a poucos anos atrás, inclusive assinando um model para a Bull Dog Skates.
Allen Sarlo: terceiro lugar em slalom no Del Mar Skate Nationals. Aos 16 anos, como membro do Jeff Ho Surf Team, conseguiu a façanha de vencer o lendário campeonato de surf Malibu 4-A. Atualmente, um surfista big rider de primeira, competindo no Master Quicksilver Pro-Tour. Surfa todo dia; anda de skate na rampa que construiu no quintal de casa, quando o mar está pequeno.
Craig Stecyk: mentor da equipe Z-Boys. Fundador da Jeff Ho and Zephir Productions Surf Shop. Pintor, fotógrafo e jornalista. Grafitando e pintando shapes, seu traçado marcou a estética surf/skate. Desenhou a famosa logomarca das
rodas Rat Bones.
Não posso deixar de recomendar o filme: Dogtown & Z-Boys. Premiado como o melhor documentário do Festival de Sundance de 2001, o filme foi dirigido por Stacy Peralta. Retrospectiva completa sobre a época por meio de imagens originais feitas em Super 8 e entrevistas atuais. Narrado pelo ator Sean Penn, o documentário de uma hora e meia ainda conta com depoimentos de músicos como o black flag Henry Rollins, Ian MacKaye (Fugazi) e Jeff Ament do Pearl Jam. Sucesso nos cinemas americanos, aqui no Brasil ficou em cartaz apenas na 26ª Mostra BR de Cinema de SP, em outubro. Torcemos para que em breve apareça pelo menos nas video locadoras.
Outro biscoito fino sobre Dogtown e os Z-Boys, vem de um dos melhores fotógrafos de todos os tempos: Glen E. Friedman. Glen começou a fotografar a cena de Dogtown em 1974. Aos 14 anos, se tornou colaborador da Skateboarder Magazine. Também documentou o início do hardcore americano no final dos anos 70 e as raízes do Rap no meio dos 80. Trabalhou com muitas bandas importantes como Dead Kennedys, Suicidal Tendencies, Misfits, Fugazi, Beastie Boys e Run DMC. Glen compilou seus 25 anos de carreira no skate e na música, em dois livros: Fuck You Heroes (94) e Fuck You Too (96). Além de colaborar com o documentário, Glen lançou o livro: "Dogtown - The Legend Of The Z-BOYS", seu trabalho mais recente.
Like A Method Air Into The Mosh Pit
Os anos 80 começam com Eddie Elguera inventando manobras complicadíssimas e linhas consecutivas no vertical, e com Mark Mothersbaugh, vocalista do DEVO, gravando o clip da música Freedom Of Choice dentro de uma pista de skate. O esporte estava ficando grande, muitas marcas especializadas, muitos campeonatos, muita grana rolando. O skate não estava mais tão vinculado ao surf como na época dos Z-Boys, já tinha vida própria, já tinha um estilo, uma atitude, um tipo de roupa e um tipo de música preferida.
Skatistas gostavam de punk/hardcore e punk rockers andavam de sk8 4 fun; esta simbiose estreitava os laços do esporte com bandas como Agent Orange, Adolescents, Bad Brains, Fear, Big Boys, Social Distortion, Misfits, Beastie Boys, Black Flag ou Minor Threat. Os nomes mais populares do skate desta época eram os atletas patrocinados pela Powell Peralta e a equipe Bones Brigade: Tony Hawk, Steve Caballero, Lance Mountain e Mike Mcgill no vertical, Tommy Guerrero no street style e Rodney Mullen e o suéco Per Welinder no freestyle. Outros atletas também merecem destaque como Jeff Phillips, Chris Miller, Tony Magnusson e Christian Hosoi. Observe que a maioria dos notáveis desta época, eram skatistas da modalidade vertical.
A relação do skate com o punk rock se estreitou ao longo da década. Em 1981, Tommy Guerrero e seu irmão Tony formam uma banda, Free Beer, em San Jose. Nesta mesma cidade em 82, Steve Caballero monta a sua, The Faction. Em 83, o irmão mais novo do lendário Z-Boy Jim "Dogtown" Muir, Mike Muir, lança o primeiro disco de sua banda,Suicidal Tendencies, o video da música Institutionalized mostrava pela primeira vez o skate na MTV. Também em 83, uma banda de Oxnard, chamada Agression, lançava o maravilhoso álbum Don't Be Mistaken. Na capa uma foto de Glen E. Friedman, e um cara andando de skate, na letra da música Intense Energy, um relato de uma pool skate session. Tony Alva tira a poeira de seu encostado contra-baixo, recruta Mike Ball (ex-guitarrista da primeira formação do Suicidal Tendencies) e monta a banda Skoundrelz.
No Texas, um bando de moleques skatistas formam o JFA, a primeira banda que se auto-proclamou skate rock. Mas o gênero teve seu batismo oficial apenas quando o fotógrafo da revista Thrasher, Morizen Foche (MoFo, vocalista do Drunk Injuns), organizou a primeira compilação da Thrasher Magazine em 83. A Thrasher, fundada em janeiro de 81, já tinha consolidado a imagem rebelde, contestadora e "skate and destroy". Lançando uma fita cassete por ano, a revista divulgava para seus leitores as bandas que de uma forma ou de outra tinham a ver com o skate. Thrasher Skate Rock Vol 1 - é um clássico. Abria com Los Olvidados, Big Boys, Riot 303 e Minus One. Faction, Skoundrelz, Drunk Injuns, JFA e Black Athletes completavam a fita. Uma ou duas músicas de cada banda, sendo a maioria delas da California, com destaque para as bandas de San Jose.
O Volume 2 seguia a mesma linha, abrindo com McRad e TSOL. Free Beer aparecia entre outras bandas menos conhecidas. Faction, JFA, Los "O", Big Boys e Drunk Injuns davam as caras novamente. A terceira fita, trazia bandas mais crossover (em alta, na época) como Boneless Ones, Christ On Parade, Septic Death, Corrosion Of Conformity, Accused e Gang Green.
A partir da quarta compilação, em 1986, a seleção musical apareceu de forma mais eclética. Apareceram nomes como Skate Master Tate e Tupelo Chain Sex. Steve Caballero aparecia, desta vez em projeto solo. Este ecletismo do skate rock, nada mais foi do que um retrato do caminho que o skate estava tomando. Com a incorporação de manobras do freestyle, o street style crescia, as ruas foram tomadas por streeteiros, e nas ruas começava a se popularizar o hip hop, o funk e outros estilos musicais. Assim mesmo, em todas as compilações posteriores, o punk/hardcore era o carro chefe.
O quinto volume abria com SNFU. Stupids, Dehumanizers e novamente o JFA também marcavam presença. A turma de Venice trazia Excel, Beowulf e No Mercy. Steve Alba mostrava sua banda, Screamin' Lord & His Heavy Friends. A cada ano, uma nova fitinha e bandas como Bad Religion, Sheer Terror, Samiam, D.I., Funk Face, Uniforme Choice, Bad Mutha Gooze, Insted, Wrecking Crew, Curious George, Verbal Abuse, Less Is Moore, Odd Numbers, etc etc etc.
Em 1993, o 11º e último volume, trazia Sick Of It All, C.O.C., All You Can Eat, NOFX, Youth Gone Mad, BNU, Lag Wagon, Accused e Fudge Tunnel. A fita cassete já não era tão popular, o formato compact disc chegava com tudo; CDs de hip hop embalavam rotinas de campeonatos de street.
Nos anos 90, o skate ficou mais técnico. O street continuou em alta e o skate vertical se reciclou. Se antigamente, quase todas as bandas do hardcore americano faziam parte da comunidade do skate, agora não existia mais o gênero skate rock de forma tão emblemática. A turma do street, mais eclética, era embalada pelo rap, reggae, punk e até música gospel.
A turma do vertical ainda prefiria o hardcore, mesmo em sua forma mais inofensiva, o melódico. A Thrasher ainda era uma referência, mas a revista Big Brother (do polêmico Larry Flint) foi a que mais inovou. Assim como o brasileiro Bob Burnquist, o melhor skatista da atualidade, o rei do switchstance (não existe mais frente ou costas, as manobras são realizadas com a base trocada também) recusando patrocinio milionário da Nike, pois a marca só chegou quando o esporte já estava grande. Hoje o skate é o quinto esporte dos E.U.A. São novos tempos, há pouco espaço para aquela ingenuidade dos Z-Boys ou para a "Death or Glory" da turma dos anos 80.
Tony Hawk continua apavorando em cima do skate ou fora dele. Tommy Guerrero, longe dos tempos de Free Beer, agora é músico de jazz/pós rock, com relativo sucesso no Japão. Seu álbum Little Bit Of Something foi lançado no Brasil, estou ouvindo neste momento, recomendo. Steve Caballero, sempre ativo no skate e no rock, continua tocando guitarra no The Faction. Jeff Phillips se suicidou (a banda argentina Fun People fez uma música em sua homenagem). Mark Gator Rogowski, virou fanático religioso e depois matou a melhor amiga da namorada em 92, só sái da prisão em 2010. Christian Hosoi, também está preso (de setembro de 2001 até começo de 2007) por tráfico de drogas.
Go For It
"Ah, a tristeza de saber, no fim da leitura de certos livros, que nunca mais os leremos pela primeira vez, que não se repetirá jamais a sensação da primeira leitura".
Transporto esta frase para o skate e para a música, e penso que nunca mais sentirei aquele "clic inside" igual aquele que senti quando ouví Ramones It's Alive ou Buzzcocks Singles Going Steady pela primeira vez. Nunca mais ficarei bêbado da mais pura euforia, a euforia infantil, de deslizar em um skate pela primeira vez, dentro da loja Tom Brasil (Nilo Cairo, 300) aos 13 anos de idade.Algumas sessions no Jardim Ambiental eram embaladas pelo som stereo que o Maguila (dono da Maha) levava. A primeira vez que ouvi Suicidal Tendencies, Agent Orange foi lá. Eu, o Guinalda íamos na Maha e tinha um poster do Suicidal Join The Army estourando na parede.
Mas o ponto alto de tudo isso, era o campeonato que a Maha realizava uma vez por ano no Ambiental. Toy Dolls, Dead Kennedys, TSOL, Misfits, PIL, Oingo Boingo, go for itizando os "semi-prós" Maguila e seus judo airs com cross bones azuis, Pepeu e seus smith grinds de front com bullets 66 amarelas, Franco e seus lien airs, Catarina e seus inverts, Márcio Cabalero e seus boardslides.
Piolho e Misael aprendiam suas primeiras manobras. Marcelo Kosake já se destacava entre os amadores. Tudo com muito estilo na pista, as belas amigas da sua irmã mais velha nas arquibancadas e uns piás como eu, o Guinalda, o Rodrigo "No Milk Today" Minduin, o Pança, o Joãozinho, o Osiris e o Josu, se sentindo no paraíso.
O skate no Brasil se popularizou no meio dos anos 80. Toda cultura do skate nacional era importada dos E.U.A. As marcas brasileiras eram as gringas chupadas, o tênis Mad Rats era cópia descarada do Vans... Mesmo assim foi uma fase muito legal. O skate brasileiro superou o plano Collor, superou o prefeito Jânio Quadros proibindo o skate nas ruas de S.P. em 89, superou o fim das revistas Yeah! e Overall, sobreviveu, cresceu e hoje é campeão do Mundo.
A Overall Skate Magazine, da editora TRIP, sempre produzia algo interessante. A minha capa predileta é a da edição 17 (Set 89) com a Silvia Rossi fotografada no quarto do Mureta. A Overall era comandada pelo editor Paulo Lima, pelo César Girão (atualmente da Revista Tribo), Cesinha Chaves, Formiga, Daniel Bourqui (hoje fotógrafo renomado nos E.U.A.), entre outros. Alguns destes, lançaram recentemente o livro A Onda Dura - 3 Décadas de Skate no Brasil. Confira.
Hoje a piazada compra a excelente revista do Alê Vianna, a 100% Skatemag e na seção de som, lê coisas escritas por quem realmente conhece, como o skatista e músico César Lost. Skate Rock como gênero musical no Brasil, praticamente não existiu. Para não passar em branco podemos falar do Coquetel Molotov, primeira banda punk do R.J. com o freestyler Lúcio Flávio. Em S.P. apareceu o Necrópole (tocando Intense Energy do Agression, no programa Boca Livre do Kid Vinil - Tv Cultura - às segundas, 20h - lá pelos idos de 1989) e o Grinders.
Mas na verdade a garotada ouvia o que estava sendo lançado na época ou o que o Bolota, o Arthur Verissimo, a Cecília Mãe e o Guto Jimenez escreviam na Yeah! ou na Overall. Então tinha de tudo: The Cure, TSOL, Circle Jerks, Adolescents, Toy Dolls, Metallica, Public Enemy, The Smiths, Sepultura, Ratos de Porão, The Cult, umas coisas góticas, uns reggaes.
No começo dos anos 80, a reputação dos skatistas estado-unidenses como arruaceiros e encrenqueiros estava crescendo; assim como um outro fenômeno cultural: o punk rock/hardcore. O novo som se engrenava perfeitamente com a atitude do skate. Em ambos, as regras eram claras: "There are no rules". Uma simbiose perfeita, um não se separava do outro.
A cidade de San Jose, ao norte da Califórnia, sempre teve uma extensa e rica história no skate. De lá surgiram profissionais como Jeff Kendall, Mike Prosenko, John Fabriquer, Corey O'Brien (que começou a Sonic Skateboards com seu irmão Gavin) e, é claro, o lendário e ainda atuante Steve Caballero.E foi neste cenário que surgiu o melhor exemplo desta conexão entre o punk e o skate, conhecido como skate rock: The Faction, tendo na formação os já supra citados Steve (contra-baixo) e Gavin (vocal). A banda foi formada na pista do quintal da casa de Steve Caballero, no Halloween de 1982. O primeiro show foi no dia 3 de dezembro, abrindo para o Social Distortion. Nos anos seguintes, lançam dois compactos, um EP, participam das coletâneas da Thrasher e fazem a primeira tour pelos EUA.
Em 85, recrutam (o ex-baixista do Los Olvidados e Drunk Injuns) Ray Stevens II, com Steve Caballero assumindo a segunda guitarra e lançam seu trabalho mais clássico e inspirado, o EP "Dark Room". Depois outro EP, "Epitaph". No Halloween de 85, a banda acaba, num show em San Jose, abrindo para o Hüsker Dü. Em 89, se reúnem para fazer apenas dois shows, contando com o skatista profissional Jeff Kendall no lugar do guitarrista Adam Segal.
No meio de 2001, inspirados pela volta dos Los Olvidados, o The Faction também resolve se reunir novamente. Desde então fazem shows esporádicos na região de San Jose ou em eventos e campeonatos. A formação atual é: Steve Caballero (rhythm guitar), Ray Stevens II (bass), Gavin O'Brien (vocals), Russ Wright (guitar) e Keith Rendon (drums). Já gravaram uma demo com 4 novas músicas e neste ano um novo disco pode surgir, seguindo a linha do EP "Dark Room".
Sugiro a compilação "The Faction Collection 1982-1985" e outra coletânea intitulada "Bandology - vol 1", que dá uma boa circulada por toda a carreira musical de Steve Caballero, com fotos clássicas e palavras sobre a história do skate rock. Inspirado por Stacy Peralta e Eddie Elguera, Steve teve seu primeiro contato com o skate em 1976, aos 11 anos. Famoso pelo seu pescoço torto (devido a uma escoliose), aos 16 anos já se destacava como um dos melhores skatistas de San Jose. Venceu ou foi finalista da maioria dos campeonatos mundiais do início dos anos 80. De 82 até 85 tocou na banda The Faction. Depois integrou as bandas Odd Man Out (87-8, Shovelhead (91-94) e Soda (95-96). Atualmente se diverte com o retorno do Faction, se dedica seriamente a evoluir no street style e é um dos skatistas da velha escola, mais requisitados em eventos como o Old School Skate Jam.
Assim como os old schoolers do skate foram valorizados novamente, o mesmo aconteceu com o skate rock, que nos últimos anos foi resgatado da eterna obscuridade. A gravadora Alternative Tentacles lançou no meio de 2002, três álbuns - com bandas importantíssimas, mas que nunca tiveram registrados seus trabalhos da forma merecida - que sintetizam este resgate histórico do skate rock:
Free Beer - "The Only Beer That Matters" - coletânea com músicas da primeira banda dos irmãos Tommy e Tony Guerrero;
Los Olvidados - "Listen To This" - banda de San Jose, altamente influenciada pela primeira onda do punk (Dead Boys, Radio Birdman, Saints). Na ativa entre 80 e 83, podem ser considerados o TSOL ou Agent Orange ou Adolescents do norte da Califórnia;
Drunk Injuns - "From Where The Sun Now Stands I Will Fight No More, Forever" - o terceiro lançamento da Skate-Punk series da Alternative Tentacles. A mais misteriosa e instigante banda da turma. Circa 83-84. O supra sumo do lado gothic do skate rock. Confira abaixo o nome de algumas bandas clássicas do skate rock que já foram citadas ou não, ou bandas que de uma forma ou de outra têm alguma relação com o skate:
Agression - a minha banda favorita do skate rock, o álbum "Don't Be Mistaken" está entre os meus Top 20.
U.S. Bombs - banda do old school Duane Peters. Skatista clássico, que inclusive participou das gravações do vídeo da música Freedom Of Choice do DEVO. Após anos de abuso de drogas, Peters está mais limpo e ativo do que nunca, sua outra banda, The Hunns também merece ser citada.
2 Cents Worth - com Adam Segal, ex-The Faction.
The Clay Wheels - outra banda do Ray Stevens II.
ILL Repute, Agent Orange, Big Boys, Bonelles Ones, JFA, Die Kreuzen, Odd Numbers (mod + san jose skate rock style !!! - muito bom), Stalag 13, TSOL (Flowers By The Door, tema de abertura do programa Grito da Rua), Suicidal Tendencies, DEVO, Circle Jerks, Drunk Injuns, Spermbirds, Minor Threat, D.I., Skoundrelz, Skatemaster Tate And The Concrete Crew (skate funk puro), Monkeywrench (com membros do Mudhoney), Free Beer, Los Olvidados, SNFU, Beastie Boys, Millencolin (com model de tênis pela Vans), Adolescents, Fu Manchu (stoner rock com capa de álbum com photo by Glen Friedman), Life Sentence (banda muito phoda, com apenas um registro fonográfico), McRad, Minus One, Tommy Guerrero, Stupids, Token Entry, Screaming Lord Salba, R.K.L., etc etc etc...
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