segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Historia do Blues - Parte 1 ( 40 cds )



Historicamente falando o Blues surgiu quando os escravos das fazendas de algodão que acompanhavam as margens do rio Mississipi no sul dos Estados Unidos, por volta de 1870, criavam e cantavam melodias lentas e chorosas, que além de marcar o ritmo, mostrava a expressão e o contorno de um povo desprezado, discriminado e sofrido. É verdade também que a expressão "The Blues" não se popularizou antes da Guerra Civil Americana. Universalmente aceito, admirado e reconhecido em toda a parte como uma fonte maior de influência da música popular contemporânea, ativando novas vocações no mundo inteiro, o Blues deixou de ser verdadeiramente popular entre o povo negro-americano que o criou. No começo o Blues representava intrinsecamente a expressão da cultura musical de uma minoria, isto é, a população negra norte- americana. Simples, sensual, irônico e poético o blues era realmente um reflexo positivo do digno negro americano.De fato, o Blues nasceu com o primeiro escravo negro da América. Da África os negros trouxeram sua expressão vocal básica, os hollers, os gritos de entonação estranha que cortavam o céu do Delta.O Blues em essência é a música dos negros levados da África para os Estados Unidos, para trabalhar como escravos nas plantações de algodão no sul do país. Objetivava amenizar o sofrimento destes trabalhadores e também lembrá-los de sua origem.

No seu desenvolvimento, porém, sofreu influências não só africanas, mas também das mais tradicionais baladas européias e marchas militares. Como estilo musical, o Blues evoluiu a partir do século passado. Surgiram pequenas variações estilísticas, algumas determinadas apenas por diferenças geográficas.

Cada região região tinha o seu expoente do blues; alguns exemplos são o Delta blues (o blues de raiz do delta do Mississipi acústico), o blues de Chicago (a fusão entre o blues acústico do Delta e a introdução da guitarra elétrica no blues) e o Texas Blues (um blues elétrico e rápido). A depressão de 1929 ocasionou novas diversificações estilísticas no Blues. Milhares de negros desempregados saíram do sul e migraram para o norte em busca de trabalho, principalmente nos grandes centros industriais como Chicago e Detroit. Desenvolveu-se assim, uma diversificação entre o Blues do Delta do Mississipi, o chamado Blues rural do sul e o Blues urbano do norte. Este último centralizado na cidade de Chicago. O Blues de Chicago cresceu em clubes fechados e bares, tornando-se mais estridente, eletrificado, e dissonante que o tradicional Blues acústico do sul. Com o som de Chicago teve início a utilização de guitarras, teclados, percussão e baixo para acompanhar os cantores.

O estilo próprio de Chicago evoluiu ainda mais com a chegada no período pós-guerra de vários cantores. Categorizar o Blues por personagens que fizeram e fazem sua história é tarefa árdua para qualquer amante do gênero. O ciclo dos Deuses começa no Delta do Mississipi e desemboca em Chicago, Detroit, em algum lugar do Texas e até mesmo no Brasil...

"As pessoas costumam me perguntar onde surgiu o Blues, e tudo o que posso dizer é que quando eu era rapaz, sempre estávamos cantando nos campos. Na verdade não cantávamos, você sabe, gritávamos, mas inventamos as nossas canções sobre coisas que estavam acontecendo conosco naquele momento e acho que foi assim que começou o Blues."

Son House,o poeta do Blues que cantava canções profanas e religiosas com a mesma força, volúpia e intensidade! (1902-1988)

 
01 - John Lee Hooker - Boogie Man

02 - B.B. King - King of the Blues

03 - Chuck Berry - The Blues Berry

04 - Buddy Guy - Stone Crazy

05 - Bo Diddley

06 - Robert Johnson

07 - Howlin' Wolf

08 - John Mayall & Bluesbreakers

09 - Bessie Smith - Classic Blues

10 - Sonny Boy Williamson II - Nine Below Zero

11 - Muddy Waters

12 - Little Richard

13 - Memphis Slim - Beer Drinkin Woman

14 - Eric Clapton and the Yardbirds

15 - Fats Domino - Be My Guest

16 - T-Bone Walker - Stormy Monday

17 - Elmore James - Dust My Broom
18 - Jimmy Reed - You Dont Have to Go

19 - Otis Rush - I Cant Quit You Baby

20 - Little Walter - Boss Blues Harmonica

21 - Magic Sam - All Your Love

22 - Lowell Fulson - West Coast Blues

23 - Bukka White - Parchman Farm Blues

24 - Jimmy Witherspoon - Aint Nobody's Bizness

25 - Robert Cray - Who's Been Talkin

26 - Albert King - Blues Power

27 - Big Bill Broonzy - Whiskey And Good Time Blues

28 - Louis Jordan – Caledonia

29 - Koko Taylor - Wang Dang Doodle

30 - Leadbelly - Midnight Special

31 - Lightnin Hopkins - Texas Blues

32 - Otis Spann - My Home in the Delta

33 - Earl Hooker & Junior Wells

34 - J.B. Lenoir - Eisenhower Blues
35 - Clarence 'Gatemouth' Brown - Just Got lucky

36 - Big Joe Williams - Baby Please Don't Go

37 - J.B. Hutto - Pet Cream Man

38 - Big Maceo - Worried Life Blues

39 - Sonny Terry & Brownie McGhee - Walk On

40 - Lonnie Brooks - Reconsider Baby

sábado, 26 de maio de 2012

A História do Rock Gaúcho Através das Coletâneas




A história do rock gaúcho não poderia ser escrita sem falar das coletâneas que ajudaram a afirmar cenas e lançar grupos e intérpretes. Desde os anos setenta, ainda no tempo do vinil, passando pelas heróicas fitas-cassete e, finalmente, chegando a era digital, dezenas dessas raridades povoam o imaginário do rock gaudério e atiçam o espírito arqueológico dos colecionadores de plantão. Algumas delas, como veremos, escondem verdadeiras pérolas, merecendo reedições, como já ocorreu com a ‘Rock Garagem’ e outras compilações já clássicas.

A primeira coletânea que marcou a história do rock gaúcho, ou quase rock, foi a ‘Paralelo 30’, lançada em 1978. A idéia original foi do jornalista musical Juarez Fonseca, acatada pela gravadora local Isaec que patrocinou o registro da "antologia de novos compositores". O LP trazia o "veterano" dos anos sessenta (Cláudio Vera Cruz, ex-Som 4 e Suco), Bebeto Alves (ex-Utopia, um trio folk-psicodélico-regional) e Carlinhos Hartlieb (compositor da maioria das músicas do único álbum do grupo Liverpool), além de Nelson Coelho de Castro, Raul Elwanger e Nando D’Ávila, mais voltados para a MPB.

O LP ganhou recente reedição em um caprichado CD duplo, com capa em papel duro e encarte detalhado. Um trazendo a versão original e remasterizada, outro com canções da edição original em novas versões com seus intérpretes originais, e novas canções. Entre as novas canções está ‘Manhã’, de Carlinhos Hartlieb (já falecido), cantada por Gelson Oliveira, que também reinterpreta ‘Maria da Paz (de Carlinhos, da versão original). Bebeto Alves, por sua vez, inclui na nova versão a clássica ‘Milonga de Paus’, que deu nome a um de seus últimos álbuns solo. A nova edição comemorativa foi bancada pela universidade Usininos, do Vale dos Sinos.

A coletânea ‘Rock Garagem’, produzida pelo DJ Ricardo Barão, é outro marco clássico da discografia do rock gaúcho. Em dois volumes, lançados em 1984 e 1985, a coletânea afirmou a cena local daquela metade de década. Nelas, estão Taranatiriça (com ‘Rockinho’), Urubu Rei (‘Nega’), Garotos da Rua, Fluxo, Moreirinha e seus Suspiram Blues, Astaroth, Frutos da Crise, Valhala, Leviatah, Replicantes (‘Princípio do Nada’), Os Eles, Produto Urbano, Prize, Os Bonitos, Câmbio Negro, Banda de Banda, Atahualpa Y Os Panques (‘Todo Mundo Saca’) e Spartacus. No som, punk, new wave e metal, especialmente. As duas coletânea já ganharam reedição em CD.

A coletânea mais popular, no entanto, desse período, foi a clássica ‘Rock Grande do Sul’, lançada pela RCA Victor, e já reeditada em CD, que trazia os grupos Engenheiros do Hawaii, Replicantes, Garotos da Rua, De Falla e TNT. Dos Engenheiros, ainda desconhecidos da mídia nacional, a coletânea apresentava os hits locais ‘Sopa de Letrinhas’ e ‘Segurança’, enquanto também destacava o mega-hit ‘Surfista Calhorda’, com os Replicantes, junto com ‘A Verdadeira Corrida Espacial’. As duas do TNT eram ‘Estou na Mão’ e ‘Entra Nessa’. Do Garotos da Rua, as escolhidas foram ‘Tô de Saco Cheio’ e ‘Me Leva Embora’. Com De Falla, ‘Você Me Disse’ e ‘Instinto Sexual’.

Um pouco antes, no entanto, outras duas coletâneas também marcaram a cena local. A primeira, ‘Porto Alegre 83’, com texto de apresentação de Celso Loureiro Chaves, trazia um mix de MPB e rock, apresentando artistas como Kim Ribeiro, Sá Brito, Cao Trein (parceiro de Bebeto Alves no Utopia), Giba Giba, Toneco, Fernando do Ó e Raiz de Pedra (um grupo de jazz-rock instrumental). Já ‘Porto Alegre Rock’, lançada em 1985, com uma das mais belas capas da história do rock local, era totalmente fiel ao nome. Trazendo de volta à cena o cantor do Liverpool, Fuguetti Luz (autoria da música ‘Novas Pulsações’, com a Bandaliera), a coletânea reunia Lionel Gomes, Vôo Livre, Byzarro, Astaroth, Sodoma, V-2, Pupilas Dilatadas e a já citada Bandaliera.

Em 1988, também em vinil, e da mesma forma inédita em CD, a coletânea ‘Rio Grande do Rock’ reunia as bandas Apartheid, Prize, Júlio Reny & Expresso Oriente, Jusca Causa e Cascavelletes. Com Júlio Reny, estão no LP as músicas ‘Expresso Oriente’ e ‘Anita’, enquanto com os também clássicos Cascavelletes, com a formação original, incluindo Frank Jorge, os destaques são ‘Estou Amando Uma Mulher’ e ‘Morte Por Tesão’. Apartheid aparece com ‘Roleta Russa’ e ‘Críticos’ e Justa Causa, banda de Ratão, com ‘Status’, ‘Forças de Interesse’ e ‘Exilados’. Do Prize, a música selecionada foi ‘Brasil’.

Outra coletânea clássica da época, lançada em 1991, é ‘Assim Na Terra Como No Céu’, que traz como destaque a presença do grupo Sangue Sujo, de Wander Wildner pós-Replicantes. Dele, a coletânea registra para a história do rock gaúcho ‘Jesus Voltará’ (depois regravada por ele), que ganhou clip na época, e ‘Boa Morte!. Outros destaques da coletânea são os grupos Ceres, de Biba Meira e Carlo Pianta (com as músicas ‘Bate Em Minha Cabeça’ e ‘Os Meus Sonhos Saindo da Cabeça’) e Pere Lachaise, de Plato Divorak (com ‘Auto-Retrato & 2 Mundos’ e ‘Almas Puras’). A coletânea também traz Smog Fog, com ‘Os Piratas’ e ‘No Galaxie Rosa’, e o rockabilly do Barba Ruiva & Os Corsários, com ‘Everbody Rock’n’Roll’ e ‘Jungle Rock’. E mais The Plastic Dream com ‘Zeit’ e’ Shake My Mind’.

No campo do punk, uma das coletâneas mais raras da época é ‘Paranóia Suicida’, lançada em vinil pelo selo Sulcos Suicidas. Na coletânea, com um capa totalmente insana, em cor amarela, estão os grupos Ratos do Terceiro Mundo, Sub Vida, Insanidade, Vômitos e Náuseas, N.D.A, Jack e Os Estripadores e Pupilas Dilatadas.A produção foi de Felipe Messa e as gravações foram feitas no final de 1990. Raridade difícil de ser encotrada, ‘Paranóia Suicida’ continua inédita em versão digital.

Outra fonte de coletâneas tão raras quanto geniais é o selo Vórtex, dirigido na época por Carlos Eduardo Miranda, Wander Wildner, Carlos Gerbase e os demais Replicantes, e responsável pela agitação da cena local, com seu mix de gravadora, estúdio, loja e bar. Todas em fita cassete, e inéditas em CD, as coletâneas escondem verdadeiras pérolas perdidas do rock gaúcho, como uma versão ao vivo com a Graforréia Xilarmônica para o clássico ‘Vem Quente Que Estou Fervendo’. A música está na coletânea ‘A Grande Sacanagem’, que ainda traz Os Cobaias (com a clássica ‘Dedos no Sofá’), Rebeldes, DeFalla e Cascavelletes, entre outros.

Outra coletânea clássica da Vórtex é ‘Zona Mortal’, que contém as versões originais de ‘Mestruada’ e ‘O Dotadão’, com Os Cascavelletes’, e também de ‘Amor e Morte’ e ‘Não Chores Lola’, com Júlio Reny e Km0 (com Edu K na guitarra). Na mesma coletânea estão os grupos Miguel e Almas, Fanzine (com uma versão neo-wave para ‘Sandina’, de Jimi Joe), Urubu Rei, Os Topetes (outra banda de Reny) e o próprio Miranda, entre outros. Os registros são de 1984, 1985 e 1986. Ainda da Vórtex, merece destaque a coletânea punk ‘Danças de Guerra’, com as bandas Kadafi (Wander Wildner), ORTN (com o original de ‘Burguês’), Justa Causa e Atraque.

Em se tratando de coletâneas sulistas, não se pode deixar de lembrar os diversos cassetes compilados e produzidos por Plato Divorak para o seu selo Krakatoa Records. Sempre em parceria com a loja Toca do Disco, de Rogério Cazzetta, a Krakatoa lançou algumas pérolas, com destaque para ‘Sha La La’, ‘Absolute Harmony’ e ‘A Fita dos Mil Disfarces’’. Nelas, estão algumas raridades como Lovecraft, Aristóteles de Ananias Jr. (de Marcelo Birck pós-Graforréia Xilarmônica), Assubek (de Carlo Pianta, também ex-GX), Ultramen, Pere Lachaise e Tequila Baby (com a versão original de ‘Brigadiana’), entre outros. No final dos anos noventa, ‘The Best of Krakatoa - Guru Psychosis 87/99’, reuniu os melhores momentos do selo, como a versão de ‘Impressões Digitais’ (do Liverpool) com Plato & The Charts.

A coletânea mais abrangente da história do rock gaúcho é a editada por Gilmar Eitelvain, com patrocínio da Prefeitura de Porto Alegre. Intitulada 'A música de Porto Alegre - Rock', integra uma série de CDs que cobrem a música da cidade ao longo de sua história. Nela, estão Os Brasas, em gravação de 1967, passando ainda pelos sessentistas Os Cleans e Liverpool, Utopia, Inconsciente Coletivo, Urubu Rei, TNT, Bandaliera, Colarinhos Caóticos e Graforréia Xilarmônica. Ao todo, foram reunidos 24 grupos, que dão um panorama da produção roqueira do Rio Grande do Sul, desde os anos sessenta.

Mais recentemente, as coletâneas lançadas pela rádio Ipanema FM, com vários clássicos do rock local, atuais e de décadas anteriores, deram prosseguimento a tradição das compilações clássicas. Outras coletâneas como a que reúne as bandas Acústicos & Valvulados, ainda na fase rockabilly, em inglês, Pura Sangre, Quintos dos Infernos e Mr. Papoo, e ‘Segunda Sem Ley’ (com Júpiter Maçã e sua clássica ‘Orgasmo Legal’, também confirmam a acertada política editorial. Uma política que foi levada ao cinema produzido no Sul, responsável por duas trilhas-coletâneas legais - dos filmes 'Houve Uma Vez Dois Verões (de Jorge Furtado) e 'Intolerância' (de Carlos Gerbase).

Detroit Rock City




Quem ouve hoje o som dos Detroit Cobras, White Stripes, Soledad Brothers ou Dirtbombs pode perguntar-se de onde saiu tal mistura de garagem, rhythm'n'blues e soul music. A resposta é simples: só podia ter saído de Detroit, sede da Motown e também berço da garagem e do pré-punk, nos anos sessenta e início dos anos setenta. Por Detroit, entenda-se também a próxima e agregada cidade universitária de Ann Arbor, e seu clima liberal. De lá para cá, as diferentes vertentes sonoras aproximaram-se e o volume aumentou.
 
Na era pré-Beatles, a gravadora Motown inundou o mundo com seus intérpretes e grupos vocais, onde se destacavam Smokey Robinson & The Miracles, Marvin Gaye, The Supremes e Jackson Five, de onde saiu Michael Jackson. O rhythm'n'blues embalado em arranjos 'esbranquiçados', mas com forte apelo rítmico, influenciou toda a geração 'anos sessenta', que produziu milhares de covers de hits da gravadora. Dos Beatles aos Stones, passando por Animals, e centenas de outros grupos, ninguém escapou de fazer suas releituras do som da Motown.

Em meados da década, com a explosão da beatlemania, a música 'branca' produzida na cidade ganhou outros contornos, mais radicais, agressivos e, depois, pesados. Esta mistura explodiu nos anos setenta, alimentando o universo roqueiro com bandas antológicas, que influenciaram as gerações seguintes, especialmente o punk rock e o som de garagem. Incendiando e sustentando a cena, destacava-se a casa de espetáculos Grande Ballroom, que tinha com o DJ e produtor Russ Gibb, uma espécie de Bill Graham (o cara dos Fillmore East/West) local. Todos os grandes heróis do rock sessentista tocaram no Ballroom e nele foi gravado o clássico 'Kick Out The Jams', do MC5.
 
Liderada por Mitch Ryder, uma espécie de Little Richard branco e punk, a banda Mitch Ryder & The Detroit Wheels deu o tom do que viria pela frente na segunda metade dos anos sessenta. No início dos anos setenta, Mitch Ryder deu continuidade ao seu trabalho com o grupo Detroit, com um acento mais pesado. Da mesma época é a clássica ? Mark and The Mysterians, com seu órgão Farfisa, responsável pelo mega-hit '96 Tears', para muitos a matriz de todas as bandas modernas de garagem.Avançando na mesma direção sonora, em 1967, o MC5 já tinha acumulado a fama de melhor banda da cidade, o que veio a confirmar-se posteriormente, com o segundo álbum 'Back In USA', lançado em 1970. Além do som agressivo, que resultava em shows arrasadores, o MC5 contava com o apoio logístico de John Sinclair, líder dos Panteras Brancas, que agregava um tom político ao som do grupo.

Sem o mesmo discurso politizado, mas profundamente vinculada às tensões existenciais da juventude da época, o grupo The Stooges também surgiu em Detroit, no final da década de sessenta. Com Iggy Pop à frente, o grupo radicalizou a linhagem garageira, gravando três álbuns clássicos, que influenciaram o futuro punk. De vida curta, o grupo acabou em 1973, com Iggy Pop retornando algum tempo depois em carreira solo. Dos Stooges saiu ainda o clássico Ron Asheton's Destroy All Monsters, nos anos setenta. E da união de integrantes dos Stooges e MC5, o Sonic's Rendezvous Band.Outros grupos também destacaram-se na cena local e conquistaram seu lugar na história do rock. Entre eles, The Amboy Dukes (de Ted Nugent), The Rationals (de Scott Morgan, também Guardian Angels) e, ainda, SRC, todos direcionados para a garagem e/ou psicodelia, com forte acento de rhythm'n'blues. Também saíram da cidade para o sucesso nacional e mundial os grupos Brownsville Station, de Cub Koda e, principalmente, Grand Funk Railroad, com seu radiofônico som pesado-pop.
 
Ainda de Detroit é o grupo Alice Cooper, que mudou-se para a cidade antes de explodir internacionalmente com sua agressividade 'trash-pop' nos álbuns 'Scholls Out' e 'Killer', de 1972 e 1973, respectivamente. E The Up, o braço musical dos Panteras Brancas, também sob a direção de Sinclair, que se mantém na ativa até hoje, à frente do selo Total Energy, subsidiário da Bomp Records.
 
Outros grupos também se destacaram nos anos setenta, especialmente The Rockets, Uprisig, The Sillies, The Ramrods, Coldcock. Mais recentemente, nos anos noventa, The Gories, The Lovemasters e The Hentchmen deram seqüência ao som de garagem da cidade.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

A história das Letras de musica , dentro do universo Rock and Roll

Parte 2

Dylan tem um filho cantor, Jakob. O líder dos Wallflowers, porém, está longe de ser o melhor exemplar de rebento intelectual. Este talvez seja Lewis Allan Reed, ou Lou Reed. Tanto no Velvet Underground - grupo apadrinhado pelo artista plástico Andy Warhol que dividia com outra boa cabeça do rock, John Cale - quanto na sua carreira solo, Reed atraiu atenção e escândalo porque se propôs a falar do lado selvagem da vida. Sua música mais famosa, aliás, Walk on The Wild Side, de 1972, habitava um universo de travestis e sexo oral. Tempos depois, num documentário sobre essa canção, David Byrne dizia se indagar a cada vez que ouvia pessoas cantarolando o refrão: "Será que elas sabem do que se fala?!"

Ainda a bordo do Velvet Underground, Reed havia feito polaróides da sujeira sob o tapete dos anos 60. Quando os Beatles decretaram ao final da década que o sonho tinha acabado, ele deve ter dado um sorrisinho sarcástico e dito "ah, é, não diga..." Em 1967, no famoso "disco da banana", cuja capa fora desenhada por Warhol, Reed falou desabridamente sobre drogas em Heroin, música que emulava a gangorra de excitação e prostração do vício. I'm Waiting for The Man tratava de prostituição e Venus in Furs, de sadomasoquismo: "Falem os chicotes, a cinta que espera por você/ Castigue-o minha senhora, para que seu coração seja curado"

O choque não era dado só pela temática pesada, pouco usual na música da época, mas pelo tratamento musical e poético. Havia um fascinante contraste entre a vida baixa retratada e a alta cultura do retrato. A derradeira faixa daquele LP, European Son, era um réquiem cacofônico para o poeta Delmore Schwartz, ex-professor de Reed na faculdade de artes e ciências de Syracuse que morrera de ataque cardíaco no ano anterior. Seu corpo ficara dias à espera de identificação num necrotério. O lado selvagem. No prefácio a Atravessar o Fogo, Reed reconhece: "Delmore Schwartz, meu professor, me apresentou à beleza da frase simples, e foi o que tentei seguir ao longo de uma vida escrevendo."

Na Inglaterra, entre muitos exemplos dessa elaborada oralidade, presente também nos beats ou em Dylan, está Steven Patrick Morrissey. Sua poética está enraizada em Lord Byron ou Mary Shelley, enquanto suas tiradas ácidas remetem a Oscar Wilde. Quando os Smiths acabaram, em 1987, Morrissey partiu para uma carreira solo de achados funcionais como "eu nunca pretendi matar/ eu não sou naturalmente mau/ fiz tais coisas/ apenas para me fazer/ mais atraente para você/ terei falhado?" (The Last of The Famous International Playboys).

Até a chegada da década de 1990, os garotos e garotas com maturidade intelectual para escrever boas letras de música tinham tido uma formação baseada em textos, não em imagens. Sua cultura ainda era basicamente literária, linear. Isso criava uma certa continuidade estética entre os poetas pré-rock'n'roll e as novas gerações, como no caso dos escritores de beats e de Dylan, ou Delmore Schwartz e de Reed. Porém, com a entrada em cena de letristas nascidos diante do aparelho de televisão, os versos passaram a funcionar quase como epigramas, reveladores de um estado de espírito mais inquieto que o polegar na tecla do controle remoto, em vez de constituir histórias com início, meio e fim.

A primeira cabeça representativa da turma da fragmentação foi a de Kurt Cobain, de Seattle, o líder do Nirvana que se suicidaria em 1994, no ponto mais baixo de uma espiral de drogadição e insegurança. Na biografia Come As You Are, de Michael Azerrad, são abundantes os testemunhos de como Cobain deixava para escrever as letras em cima da hora, num canto de estúdio. O seu desespero era transmitido pela alternância entre agitação e calmaria nos instrumentos do grupo, entre gritos e sussurros nas próprias cordas vocais. A letra era quase secundária, mas não desprezível, na sua arte.

Na época em que música Smells Like Teen Spirit explodiu na MTV americana, a emissora fez uma enquete entre seus espectadores: "O que diz a letra?" As pessoas ouviram as coisas mais disparatadas. Inclusive porque Cobain lhes oferecia, sim, imagens disparatadas, como "um mulato/ um albino/ um mosquito/ minha libido/ yeah". E assim, para seu terror, Cobain descobriu-se porta-voz de uma geração que achava não ter nada a dizer. O que nem era verdade: ela não tinha a dizer à moda antiga. Leia-se a tristíssima Pennyroyal Tea, ou "Chá de erva poejo", de supostas características abortivas. Nela, Cobain escreveu: "Sente-se e beba chá de poejo/ Destile a vida que está dentro de mim." Imagem forte e bonita.

Outros talentos burilaram a nova estética, à medida que a fragmentação audiovisual era radicalizada pela digital como fonte de educação sentimental da rapaziada. E o inglês Thom Yorke, do cultuado Radiohead, acabou herdando o bastão de intérprete das angústias geracionais após a morte de Cobain. Seu grande hit - agora raramente executado ao vivo - expressa de forma simples a inadequação da juventude. "Você flutua como uma pena/ Num mundo maravilhoso/ Eu queria ter sido especial/ Tão especial/ Mas eu sou um verme/ Eu sou esquisitão/ Que diabos faço aqui?/ Eu não pertenço a este lugar", avisa Creep.

Enfim caro leitor , aventure-se por esse universo .....

A história das Letras de musica , dentro do universo Rock and Roll


Parte I

O rock não teria tido o mesmo impacto socio cultural entre os jovens da segunda metade da década de 1950 e da primeira metade da década de 1960 se já tivesse nascido sob o signo da pretensão poética. Se os filhos ficavam excitados e os pais, amedrontados, era porque Elvis Presley sacudia a pélvis daquela lasciva maneira africana, Little Richard urrava "A-wop bop-a loo-bop, a-wop bam-boom! Tutti Frutti, al-rudy" como se fosse uma bateria desenfreada, e Chuck Berry louvava o rock'n'roll acima do jazz, das sinfonias, do country, do tango, do mambo. Como antes acontecera com o jazz e depois aconteceria com o funk e o rap, o racismo americano se manifestaria na forma de uma cruzada moral, de repulsa ao sexo.

Na reprimidíssima década de 1950, não era necessário ser sexualmente explícito para suscitar a antevisão de prazeres proibidos. A combinação entre carrões envenenados e romances infelizes aparecia, por exemplo, em Maybellene, de Chuck Berry, cuja refrão dizia: "Maybellene, por que você não pode ser fiel? Você voltou a fazer as coisas que costumava fazer." Essas coisas, à época, não precisavam ser ditas para serem censuráveis. A batida frenética dizia tudo. O meio era a mensagem.
 
A imagem de rebeldia associada ao rock em filmes como Sementes de Violência (1955) ou No Balanço das Horas (1956) tornou-se tão forte que resistia ao evidente bom-mocismo de Bill Haley e Seus Cometas, presentes em ambos. As canções entoadas por Elvis também não eram especialmente selvagens. O que perturbava a ordem era a boa aparência, o rebolado, a voz de negro num branco. As letras, portanto, não iam além de garotas, garotas, garotas. Isso fez alguns observadores confundirem o rock com outros modismos musicais que, em décadas anteriores, haviam cutucado os hormônios da América branca e, de carona em sua poderosa indústria cultural, os hormônios de todo o Ocidente cristão. Quando Elvis foi enquadrado no serviço militar, então, o bicho parecia domado.

Nem mesmo ao final da primeira fase dos Beatles, com o já musicalmente brilhante álbum Revolver (1966), as letras possuíam a capacidade de funcionar sem a companhia da música. Qualidade que conquistariam conforme, "desafiados" por seu ídolo Dylan, John Lennon e Paul McCartney se dedicassem a torná-las mais significativas, casos de She's Leaving Home ou Blackbird. O repertório inicial dos Fab Four fazia cândidas declarações de amor, externando o desejo de pegar na mão na menina ou, no máximo da ousadia, se tornar o homem dela. Fosse como fosse, o rock'n'roll era sobre coração e sexo, não cérebro. Até hoje há compositores bons na pregação de que a música deve ser, antes de tudo, diversão. Certas bandas de hard rock ou heavy metal, como o AC/DC, eternizam em poucas linhas o sentimento de que a vida é curta, e é preciso vivê-la rapidamente. Parafraseando Lobão, os livros na estante - com antologias de letras de canções - não teriam tanta importância.
 
Em seu primeiro filme como diretor, Ricardo III - Um Ensaio (1996), o ator Al Pacino a certa altura conjecturava se Shakespeare já não havia pensado tudo o que o homem poderia pensar. Em relação a Bob Dylan o sentimento é mais ou menos o mesmo. Abrir ao acaso o calhamaço que é Lyrics 1962-2001, nunca editado no Brasil, se assemelha a jogar I Ching. A poesia de Dylan funciona tanto como arte divinatória como gotas espessas de sabedoria. Em meio século de carreira, ele se pronunciou sobre virtualmente tudo o que há para se pronunciar: política, amor, guerra, ecologia, religião, morte, arte. E, quando o fez, fê-lo com a autoridade moral de profeta que atravessou várias crenças e descrenças.

Dylan despontou para Nova York e para o mundo como um trovador folk. Nesta condição, participou do comício de 28 de agosto de 1963, em Washington, no qual Martin Luther King Jr. contou a 200 mil manifestantes pelos Direitos Civis o seu célebre sonho: "Um dia meus quatro filhos pequenos viverão num país em que não serão julgados pela cor de suas peles, mas pelo conteúdo de seu caráter." De alguma forma, a poderosa retórica batista de Luther King Jr. já ressoava pela obra deste judeu de Duluth, Minnesota, que dois anos antes largara a universidade ainda como calouro e fora pregar o próprio evangelho pelos bares do Greenwich Village. Esta, porém, não seria sua influência mais óbvia. Dylan idolatrava Woody Guthrie, que escavara a canivete no tampo de seu violão a frase "Esta máquina mata fascistas", e com certeza lera com atenção poetas beat como Allen Ginsberg.

Havia ainda, é claro, o fascínio primeiro por Dylan Thomas, tão intenso que lhe fornecera o sobrenome artístico. Diferentemente da impenetrabilidade da poesia do galês, entretanto, o pulo do gato de Bob Dylan foi unir uma erudição instintiva à capacidade de comunicá-la de forma eficiente, pop. As letras de Dylan ofereciam - e oferecem - inúmeras camadas de interpretação e permitiam ao rock, gênero pelo qual ele se interessara ainda antes de virar o cantor folk por excelência, a autoconsciência da própria complexidade e importância. Dylan abandonou a universidade, certo, mas sua obra voltou a ela pela porta da frente. Existe uma anedota daquelas que se não for verdadeira é bem achada. Dizem que Dylan entrou incógnito num grupo de discussões sobre suas letras na internet. Diante de um despautério, contudo, ele não pôde deixar de se manifestar e afirmar que não quisera dizer nada daquilo que lhe era atribuído. Foi expulso do grupo como impostor, óbvio.

O impacto de centenas de letras como as de Blowin' In the Wind, The Times They're a-Changin', Don't Think Twice it's All Right ou Hurricane ultrapassou as fronteiras artísticas e conquistou para o rock o respeito de exegetas que antes consideravam aquela música sem nenhuma relevância cultural.

Little Richard Box Set


A-wop-bop-a-loo-lop-a-lop-bam-boom!


O grito primal do rock foi dado por Richard Wayne Penniman, mais conhecido como Litlle Richard, nascido em Macon, no estado da Georgia, em 1932. Segundo Lemmy Kilmister, Litlle Richard é a melhor voz do rock and roll de todos os tempos. Estourou em 1955, com o clássico "Tutti Frutti", que foi gravado por Elvis e tantos outros. Tutti Frutti tornou-se o primeiro "hino" do rock. Seguiram-se os sucessos "Lucille", "Long Tall Sally" e "Rip it Up". Apesar do pioneirismo e do sucesso, Litlle Richard era uma alma atormentada. Sua homossexualidade era motivo de conflito com sua formação religiosa conservadora. 

Chegou a largar a carreira para tornar-se pastor em 1958, chegando a gravar músicas gospel. Retornou em 1962, quando, em uma excursão pela Europa, conheceu os Beatles. Ainda nos anos 60, pegou carona  no interesse pelo rock e pela cultura norte-americana, excursionando pela Inglaterra. Durante os anos 70, procurou revitalizar sua carreira, gravando músicas soul, além de apresentar-se com seus maiores sucessos dos anos 50.

Vocalista mais virtuoso da primeira fase do rock and roll, Little Richard influenciou com seus falsetes, seu piano e seu temperamento extrovertido, os grandes nomes da história do rock, de Paul McCartney a Robert Plant, de Jerry Lee Lewis a Billy Preston, de Otis Redding a Freddie Mercury, de Elvis a Prince.

Sua performance explosiva e insinuação em palco agitavam e levavam o público à loucura, chegando a causar tumultos. Sempre o centro das atenções, sua música ajudou a promover a desmistificação entre brancos e negros, uma vez que os jovens brancos passaram a invadir os espaços reservados aos negros, diretamente em frente ao palco, para dançarem juntos. Assim, jovens brancos puderam perceber melhor a discrepância do tabu racial vinda dos mais velhos e em que eram obrigados a acreditar.

Ao final de 1976, em eterno duelo com seu "outro lado", Little Richard sucumbiu novamente para a respeitabilidade de Reverendo Richard Penniman. Mas como passou a ser visto como um ícone do rock 'n' roll, seus sermões apareceram nos jornais fora de contexto. Em tais sermões, ele pregava a força absoluta da fé com frases como "Se Deus pode salvar um velho homossexual como eu, ele pode salvar qualquer um".

The Specialty Sessions CD 01: Download

The Specialty Sessions CD 02: Download

The Specialty Sessions CD 03: Download

The Specialty Sessions CD 04: Download

The Specialty Sessions CD 05: Download

The Specialty Sessions CD 06: Download


Outro post relacionado

http://jackoldpunk.blogspot.com.br/2012/04/little-richard-essencial-rainha-do-rock.html

terça-feira, 22 de maio de 2012

Green Day - Projetos Paralelos


The Network - Money Money 2020 (2003)

The Network é um projeto paralelo de new wave da banda americana Green Day. Os integrantes usam máscaras, Billie Joe, Mike Dirnt e o Tré Cool, juntamente com os assistentes Jason White, Chris Dugan e Peter Reto querendo fazer um tipo de som diferente (um som meio eletrônico). Eles usam nomes falsos, e sempre que possível dão entrevistas dizendo que odeiam o Green Day, porém é notável que tudo não passa de brincadeiras feitas pelos próprios integrantes. Eles lançaram seu primeiro álbum Money Money 2020 no Adeline Records em 30 de setembro de 2003. A re-lançamento do álbum, com duas faixas bônus, seguido em 2004.



Foxboro Hot Tubs - Stop Drop And Roll!!! (2008)

Mas quem é essa banda? Nada mais, nada menos do que o projeto paralelo dos três integrantes do Green Day, Billie Joe Armstrong (Vocal), Mike Dirnt (Baixo), Tré Cool (Bateria), e seus músicos de apoio, Jason White (Guitarra solo), Jason Freese (Teclados e Sopros) e Kevin Preston (Guitarra base).

Pra quem espera um disco do Green Day, pode esquecer, pois em pouquíssimas músicas a influência da banda aparece. A principal inspiração do grupo está do Rock de garagem dos anos 60 e 70, desde os ritmos das músicas até os timbres dos instrumentos. O disco foi gravado durante o período de preparação do último disco do Green Day, 21st Century Breakdown (2009) e a banda chegou a fazer uma pequena turnê pelos Estados Unidos em 2008 e alguns shows em 2010, todos em pequenas casas e clubes noturnos.

O disco começa com a faixa titulo "Stop Drop And Roll!!!", rápida e com muito peso, prendendo a atenção logo de cara. Em seguida "Mother Mary", single do disco, apresenta a leveza dos grupos dos anos 60 com pouca distorção e ótimos backing vocals.

"Ruby Room" vem com um refrão muito bom e um riff de teclado que caracteriza a música. "Red Tide" é a música mais leve do disco e mostra um certa influência das bandas psicodélicas dos anos 70, e "Broadway", talvez a melhor música do disco, vem em seguida com guitarras agressivas e um refrão grudento.